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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Get the F*ck Out of Here!

Brexit, ouviram falar?

Tenho andado num estado de estupefação relativamente a este assunto. Considero que os povos têm o direito (dever?) de dar a sua opinião relativamente ao destino que pretendem dar ao seu país. Os políticos e os opinion makers favoráveis ao brexit têm toda a legitimidade para argumentar no sentido de o Reino Unido deixar de fazer parte da União Europeia, tal como os defensores da permanência têm também o direito de apresentar argumentos que sustentem a sua posição. Os resultados obtidos no referendo do passado dia vinte e três de junho ditaram a saída do Reino Unido da UE.

Os resultados obtidos no referendo determinaram a demissão de Primeiro-Ministro Cameron do cargo que ocupava no Governo Britânico. Normal, tendo o homem defendido a permanência do Reino Unido na União.

(Sou só eu que que acho estranho que o homem que propôs a realização do referendo, numa manobra de pressão sobre a União Europeia e tenha defendido durante meses de forma subreptícia e tão britânica, que se calhar, o UK estaria melhor fora da UE, faça depois campanha pela permanência?E que depois, qual virgem ofendida se demita por não ter conseguido que o seu lado da questão fosse vencedor?)

Pouco tempo depois os partidários da saída do UK vieram reclamar vitória, dizendo que era a vitória da independência do Reino Unido e que o povo britânico era novamente dono do seu destino. A coisa começa a descambar, quando nas semanas seguintes, cada um dos líderes dos partidos políticos e movimentos partidários do brexit começou a abandonar o cargo que ocupava. Baralhados?! Eu confesso que sim. Baralhado e perplexo perante as declarações do ex-líder do UKIP que diz que atingiu o objectivo a que se propôs, que nunca quis ser político e que portanto se demitia do cargo de líder porque tinha conseguido aquilo a que se tinha proposto.

Say what?!
Então este senhor, líder de um partido político nacionalista, vagamente xenófobo, anti-imigração, consegue convencer a maioria do eleitorado britânico a votar favoravelmente a saída do seu país da UE e depois demite-se? Era esse o projecto político? Tirar o país da União Europeia e a seguir virar costas? O que pensarão agora os militantes do UKIP? Que orgulho! Faço parte de um partido político que tinha como único objectivo que o Reino Unido saísse da UE! E a saúde? E a educação? E a segurança? E as políticas económicas? E as finanças do país?

Tempos perigosos estes em que se reduz um projeto político a uma única acção sem ter em consideração as consequências. A libra está em queda livre. Há rumores fundados de fuga de capitais e de empresas para outras paragens. O número de pedidos de informação sobre as condições para aceder ao programa português de vistos gold subiu exponencialmente desde que se soube o resultado do referendo.

Mas espera aí... de que país é que estamos a falar? Do Reino Unido! Aquele país que aderiu à União Europeia em 1973 e que não aderiu ao espaço Schengen e por isso tem controlo fronteiriço (o que não impediu os lamentáveis atentados em Londres), não aderiu à Moeda Única (e por isso tem a libra esterlina como moeda oficial) e na verdade, esteve dentro da União, mas com um pé fora. Então, a saída da UE vai fazer de facto alguma diferença?

É uma boa pergunta. Vamos esperar para ver o que vai acontecer. Para já "os mercados", esses abutres andam a rondar a carcaça ensaguentada do Reino Unido à espera que o corpo moribundo dê o seu último suspiro.

E. entregou uma pizza #à centrão bipolar, #à políticamente irrelevante; #à fritei a pipoca

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Euro 2016 - Notas soltas...

Portugal - Bola e praia. Viva!
Queremos saber de transmissões em directo de emigrantes a gastar do seu tempo de folga para ficar a olhar para o hotel onde está alojada a selecção. As transmissões em directo da saída do autocarro para o aeroporto que têm o poder de interromper programas/notícias/debates sobre o brexit, a CGD ou qualquer outro tema muito mais importante mas muito menos destacado e apelativo.
Entretanto a Geringonça vai funcionando para espanto (e mal) de uns quantos, a CGD está prestes a dar o peido-mestre, o Paulinho das Feiras foi para a Mota Engil, essa conhecida ONG, a Comissão Europeia tenta decidir se nos encava mais um bocadinho ou não, o Marcelo continua no seu ritmo coelhinho Duracell e a malta quer é... Futebol! Tanto que a bandeira das quinas e A Portuguesa são mais símbolos de uma selecção do que de um país... Triste!
Ó malta... e se usássemos uma décima parte da dedicação para levarmos o país para a frente? (não, não estou a falar da equipa para o ataque!!!)

Espanha - PoPodemos (não, não é gralha...)
Nuestros hermanos foram às urnas (outra vez) e a coisa está entalada. Afinal o Unidos Podemos não foi tão longe (parece-me que o Iglesias está a pagar algum atrevimento e uns tiques), o PSOE não caiu tanto, o PP até subiu e os Ciudadanos começaram a perder gás... A Comissão Europeia deve ter ficado relativamente satisfeita... Se aquele gajo do rabo de cavalo ganha ia ser uma treta (e choviam sanções na Península Ibérica).
Ahhhh! E a Bella Itália mandou os bicampeões da Europa para casa.

França - Je suis François
O François não sabe para onde se virar... Ele é o Euro (com os nervos em franja por causa da segurança), ele é o €uro (por causa do Brexit), ele é o Brexit, ele é, enfim, a Marine! A Marine que parece muito mais ele do que o próprio François! Ele é/está amorfo. Ela está cada vez mais empertigada. Nem consegue disfarçar o sorriso que se forma pelo gozo que deve sentir pelo andar da carruagem, tanto em França como no resto da velha Europa.
E pelo meio lá conseguiram desenvencilhar-se dos tipos porreiros que são os O'Irish! Que pena!

Reino (des)Unido - BiBrexit!
A desinformação é uma arma poderosa, não é? O medo instigado nos old chaps da Albion foi capaz de fazer subir intenção de voto no Brexit até à vitória. O medo dos malditos estrangeiros foi mais forte do que o medo de sair da UE e assim aconteceu a saída de um país que, verdade seja dita, nunca esteve inteiramente dentro da União Europeia. Agora temos uma fatia da população jovem revoltada pelo votos dos mais velhos, temos a população estrangeira assustada com o futuro, temos a malta dos kilts a ameaçar bater com a porta.
Pelo meio o Will Grigg não esteve on fire no Euro e o Ulster e a Inglaterra fizeram um Brexit 2. Resta Gales para tentar manter a honra do convento.

Alemanha - Alles ist gut
Zee germans (ver Snatch, Porcos e Diamantes) estão mais sozinhos no comando da UE. Na verdade sempre estiveram mas agora, sem a sombra dos brits e com o molengas do François estão mais na mó de cima do que nunca. Ditam as regras no Euro e no €uro. E na Europa da economia e da política as coisas são como na Europa do futebol. São onze contra onze (mais coisa menos coisa) e no fim ganha a Alemanha!

Bélgica - Um xixi em cima da xenofobia
O país ainda não se refez dos atentados no aeroporto e no metro, das buscas no bairro de Molenbeek, de todas as ameaças e medos. A Bélgica, esse país que há uns tempos atrás nos mostrou que é possível funcionar sem governo, dá agora uma lição de integração através da sua selecção de futebol. Da última vez que eu vi a Bélgica era composta por uma parte flamenga e outra francófona. Mas a selecção tem descendentes de magrebinos, espanhóis, congoleses, indonésios, malianos, portugueses e quenianos, isto se não contarmos seleccionáveis que por uma ou outra razão não foram à França.
E que melhor forma de eliminar a Hungria, com os seus adeptos fascistas (ou marxistas, como provavelmente JRdosS lhes chamaria) do que às mãos (ou pés) desta multicultural Bélgica? Justiça divina! 
Fica aqui uma palavra para outra multicultural selecção... os neutros, indeterminados, abstidos... a selecção da... Suíça! Ups! Da Albânia 2!

Turquia - De certeza que querem fazer parte disto?
Os cada vez mais nacionalistas turcos estão a deixar-se levar por um Erdogan com a mania das grandezas. Erdogan tem o dom de pegar no estado laico de população maioritariamente muçulmana criado e construído de forma sustentada por Ataturk e levá-lo perigosamente por caminhos cada vez mais obscuros ligados ao conservadorismo religioso. Do meu ponto de vista a Turquia podia ser a porta que ligaria o mundo ocidental ao mundo do Médio Oriente. A Turquia podia ser um farol. E não é que o sacana do Erdogan põe-se a atirar pedras à luz do farol? E ainda convence o bom do povo turco que se anda melhor às escuras?
Embora o acordo secreto com a UE pareça ser mais uma aproximação da Turquia à Europa, aos meus olhos os que os turcos querem é manter a distância. Tanta que já saíram do Euro. Pela porta pequena.

Rússia - Arrussieiros
Chegaram cedo à França e cedo partiram. E partiram tudo! Cadeiras, copos, cabeças inglesas... A Rússia esteve no Europeu sem glória nem honra. E os seus adeptos (uma minoria...) sublinharam a postura da sua selecção. E, pasme-se (na verdade não...) os líderes russos, com Vladimir Putin à cabeça, passaram um pano nas acções dos seus vândalos e a mão na cabeça dos mesmos. Mas a quem surpreende esta postura do Todo Poderoso? A mim não... O senhor Putin é talvez o rosto mais visível da onda nacionalista que se espalha pelo Velho Continente. 

Islândia - Os vikings estão de volta!
Melhor do que os irlandeses (da República ou do Norte) só mesmo os islandeses!
A população desta ilha agreste e escassamente povoada mostra-nos a nós continentais (não, não estou a falar da Madeira) como se governa uma nação. O que não está bem muda-se. O que está errado corrige-se. O que é nosso somos nós que governamos. Tomamos o nosso destino nas nossas mãos. E tão verdade é esta postura do povo islandês que o mesmo se reflecte na postura dos seus bravos em campo. Veja-se como a provavelmente mais fraca selecção do torneio segue determinada e inspiradora no seu caminho de glória.

J. entregou uma pizza #politicamente irrelevante, #à coçador

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Bêbados de Verdades...



“Diga ao mundo que somos felizes”. A frase proferida por provecta cidadã da Coreia do Norte à jornalista da TSF, Margarida Serra, aquando da visita recente desta a um lar na cidade de Pyongyang gerou em mim um sentimento de profundo mal estar, destes que não passam com Alka Seltzer nem com duas garrafas de Água das Pedras. Enganam-se se pensam que dissertarei sobre a “democracia” norte coreana, nas palavras do atual Presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares. Este sub-produto da Guerra Fria e da inoperância das Nações Unidas, governado pela loucura de Kim Jong-un, com formação académica na mui nobre e insuspeita Suíça, é aos olhos do mundo um enorme buraco negro, onde a repressão e o autoritarismo aniquilam a capacidade de pensar, de respirar até, segundo relatos da mesma jornalista. A zona desmilitarizada, (que jeito dariam aos líderes europeus estes 4 km nas fronteiras para fazer depósitos de refugiados), os testes nucleares, os discursos inflamados de antiamericanismo são propalados aos sete ventos por toda a imprensa mundial.
Longe de mim defender a ideologia Juche, que no fundo prevê que todos trabalhem de forma independente para o bem comum. O BEM COMUM, deus meu!!! O que me causou esta indisposição foi mesmo a headline, “Diga ao mundo que somos felizes”. Resisto à tentação, naturalmente naif, de acreditar nesta sénior de sorriso rasgado e rosto iluminado, que nos declara a genuína felicidade de viver subjugada pela dinastia Kim. Assumo que tal expressão foi encenada e cuidadosamente encomendada e posta na boca – sem dentes, digo eu- da mais insuspeita das criaturas.

Neste pressuposto, vejo-me a mim e a tantos outros a escolher esta atitude subserviente de deixar nos outros a capacidade de pensarem por mim, decidirem por mim, de ser marioneta consciente ao arbítrio de mãos sábias. Que cómoda é esta postura de seguidismo cego. Pensem por mim. Digam-me o que devo pensar. Que bom é ser livre num mundinho onde tudo me é imposto… Este “Diga ao mundo que somos felizes” poderia ser proferido por cada um de nós atores passivos neste mundo globalizado e onde as democracias reinam, ou são reinadas. E convenhamos, em maior ou menor grau, todos gostamos que nos sirvam em lautos banquetes, em embalagens de cores berrantes, de mil aromas e paladares, estas verdadeszinhas prontas a consumir. Quase sempre a nossa liberdade tem expressão máxima, na forma mais ou menos apaixonada, mais ou menos gulosa como engolimos a verdade que queremos. Aqui no burgo, ela- a VERDADE- é-nos servida normalmente por bartenders vestido de rosa, de laranja, azul ou em tonalidades de vermelho, ou pelos televisivos “fazedores de opinião”, quase sempre trajando impecáveis uniformes em tons matizados, que nos propõem cocktails cada vez mais elaborados onde misturam um pouco de tudo … Feita a selecção sobre que realidade vamos consumir é só sentar à mesa e degustar a especialidade da casa: Um Mojito de liberalismo económico, um Bloody Mary de estatização da economia, uma Cuba Livre de estado social mínimo, um Gin tónico de privatização da educação ou da saúde, uma Margarita de nacionalização da banca… e é ver-nos cada vez mais bêbados, espírito torpe, belfos mas eloquentes, a prometer porrada a toda a gente que ouse dizer que a sua verdade é melhor que a nossa.

“Diga ao mundo que somos felizes”… Pobres dos norte coreanos, que submissos professam com vénias às estátuas ou fotografias dos líderes desaparecidos, o seu temor à verdade. Que felizes somos nós, os donos do livre arbítrio e da capacidade para nos sublevarmos…


Deixem-me ser moralista… antes da derradeira bezana, antes das nódoas negras que as escaramuças nas traseiras do bar vos trarão, peçam o menu, beberiquem, experimentem, e depois enfrasquem-se à grande…

A.entregou uma pizza #à politicamente irrelevante

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Amigos para sempre: Ganância & Estupidez

Hoje tive a oportunidade de assistir a um documentário, no mínimo, inquietante sobre a chamada economia verde que retratava a forma com os bancos (sempre eles!) estão actualmente a virar-se para a venda de medidas de mitigação a empresas poluidoras.


Isto explica-se de uma forma mais ou menos simples: bancos e empresas financeiras criam empresas que gerem territórios em risco de desflorestação ou que servem de habitat a espécies em vias de extinção e vendem produtos financeiros estruturados  (lembram-se do subprime? também era um produto estruturado!) a empresas, por norma poluidoras que necessitam de passar a mensagem para o público que se preocupam com o ambiente.

Provavelmente o que a maior parte de nós conhece, são as empresas que vendem medidas de mitigação das emissões atmosféricas de dióxido de carbono: na verdade, o que estas empresas fazem é providenciar algum alívio às consciências dos empresários poluentes (se é que empresários poluentes e consciência na mesma frase faz algum sentido!) e facultar-lhes licença para continuarem as suas actividades poluidoras. Obviamente que as empresas que vendem estas medidas de mitigação facturam milhões de dólares anualmente com a venda destes pensos rápidos da consciência dos poluidores e ao mesmo tempo garantem publicidade verde às companhias que as compram.

Quanto do dinheiro ganho é aplicado em medidas de proteção, recuperação e valorização ambiental? Aparentemente muito pouco.

Apenas o estritamente necessário para manter as aparências perante a opinião pública e a comunicação social. E as tais medidas ambientais retratadas no documentário passam, no caso da empresa brasileira de exploração mineira Vale, por reflorestar os solos da floresta amazónica que já exploraram. Com eucaliptos! Monocultura intensiva de uma espécie bem conhecida de todos nós pelos efeitos nefastos que produz sobre os solos. Compensam a desflorestação da maior floresta tropical, compensam a perda de biodiversidade associada à desflorestação com a plantação intensiva de eucaliptos que vão vender, obtendo ainda mais lucro.

Este é um jogo perigoso, criado pelos suspeitos do costume, com o objectivo de ganhar dinheiro. Não se trata de protecção ambiental, não se tratam de medidas de mitigação dos efeitos da actividade industrial e económica, trata-se simplesmente de fazer dinheiro às custas dos recursos comuns do nosso planeta.

Certamente que algumas destas pessoas já terão comprado terrenos na Lua ou em Marte, porque quando estiverem ainda mais ricos e o planeta com todos os seus recursos essenciais à vida esgotados, o dinheiro não lhes vai servir de muito. Água, ar e alimentos saudáveis serão um bem cada vez mais escasso e caro.

O documentário em causa está aqui.

E. entregou uma pizza #à politicamente irrelevante; #à tou que nem posso.


quarta-feira, 16 de março de 2016

Sic transit gloria mundi

Embora estas glórias sejam pouco gloriosas, nos dias lentos que correm rápidos ao ritmo dos soundsbytes propagados pelos media. Sim, os chamados media sociais também!

E de que "glórias" vos quero falar?

Vejamos:
1. A múmia foi-se embora. Embora, tal como nos idos de 1995 me pareça que vá "continuar por aí" a atormentar-nos como os fantasmas dos natais passados dos contos de Dickens.

2. Em seu lugar temos "o amigo de todos". Conhece toda a gente, fala com todos, de tudo e tem sempre opinião. E qual cereja em cima do bolo, dá-a!
Fico com a sensação que vão ser uns cinco anos muitos animados para as bandas de Belém! Mal posso esperar por Dezembro e pela mensagem de Natal do Sr. Presidente da República! Será que também vamos ter direito a sugestões de livros para oferecermos como presente?

3. O cerco continua a apertar-se à volta daquela pessoa que tem mais distúrbios de personalidade do que a psiquiatria é capaz de diagnosticar. Não me estou a referir a outro que não seja o ex-primeiro. Não é o PPC. É o sr. Pinto de Sousa. A única diferença é que um já esteve preso. O outro para lá caminha se a Justiça tiver vontade de investigar a sério temas sensíveis como a Tecnoforma e outros que tais que foram surgindo durante a legislatura anterior. Mas voltando ao sr. Pinto de Sousa: vergonhoso espectáculo decadente o da publicação/visionamento/ exibição de algumas das escutas e gravações dos interrogatórios que foram feitos no âmbito da chamada "operação Marquês". Retive uma passagem em que uma das companhias femininas remata uma conversa telefónica com um comentário: " Buraco és tu!" Pareceu-me apropriado!

4. A Europa continua sem saber o que fazer aos milhares de refugiados que continuam a chegar diariamente às suas fronteiras. Bem, para dizer a verdade, a Europa continua sem saber o que fazer com a Europa! Os responsáveis políticos dos Estados-membros da União Europeia criaram uma teia económica, política, tecnocrática, burocrática e tão perfeita que acabaram, por sua própria iniciativa, enredados. A patroa sofreu uma derrota nas eleições regionais lá na sua quinta, mas nem por isso me parece que as coisas irão mudar. O BCE baixou a taxa de juro de referência para uns espantosos 0%! O dinheiro está barato. Tão barato que o programa de compra de dívida dos países da UE continua e vai ser reforçado. Full speed ahead. In the wrong direction! Nem quero imaginar o estouro que vai ser! Ou isso ou uma solução à americana: a dívida é monstruosa, mas a FED continua a imprimir dinheiro! Desde que ninguém repare e faça perguntas está tudo bem!

5. Do outro lado do Atlântico o regabofe continua: a "presidenta" Dilma resolveu os problemas do seu padrinho Lula chamando-o para ministro do seu governo. E ainda dizem que é preciso reforçar as relações luso-brasileiras: lá como cá, o crime compensa, continua a compensar e embora o povo proteste na rua, a justiça para além de cega, está surda, muda, tetraplégica e... Notícia de última hora: acabam de me informar que sofreu um AVC fulminante que a vai deixar em estado (ainda mais) vegetativo. A babar-se para cima dos processos até que eles prescrevam.

6. Os srs. do DAESH, a.k.a. ISIS, a.k.a. Estado Islâmico, a.k.a. esses filhos da puta, andam a rebentar com cidades inteiras, a destruir obras de arte património mundial, a violar, matar, decapitar, estropiar de forma mais ou menos aleatória continuam vivos e bem de saúde. A coligação internacional, de vez em quando, lá consegue mandar alguns mais cedo para junto das suas virgens que os esperam no paraíso, mas perdas de monta, por exemplo, nas fontes de financiamento e nos fornecedores de armamento, curiosamente, nada se faz. Porque será? Agora fiquei curioso...

E. entregou uma pizza #à soda caústica; #à coçador ; #à politicamente irrelevante

domingo, 17 de janeiro de 2016

Dream team

Esta semana entra-se na recta final da campanha eleitoral para as a eleição do(a) próximo(a) Presidente da República.

Colocado perante dez escolhas, o que fazer?
Vamos tentar apresentar alguns factos reais e outros que não sendo poderiam muito bem ser, que ajudem o eleitor menos preparado a fazer a escolha certa. Vamos então a isto!

Há candidatos mais candidatos que outros. Há uns perfeitos desconhecidos de que ninguém ouviu falar antes, a não ser as respetivas mães, pais e família próxima. E depois há outros que são presença habitual nos media há anos e anos e anos. Nessse campeonato, a estrela da companhia é Marcelo Rebelo de Sousa. Toda a gente o conhece de quando foi candidato a outros cargos (e foram muitos!) de ter atravessado o Tejo a nado (na altura em que tomar banho no Tejo era tão arriscado como tomar banho no Ganges), de ter sido presidente de um certo e determinado partido português MRS não merece ganhar as eleições, não porque mesmo que seja o melhor candidato anda em campanha já lá vão dez anos! Por esse facto deveria ser desqualificado da corrida a Belém e também pela insistência, persistência e porque não há mais paciência!

Maria de Belém uma das candidatas apoiadas pelo PS (NB: o PS é tão plural que apoia dois candidatos!) não vai chegar a Presidente porque não tem estatura. A sério! A sra da voz irritante fininha e do cabelo armado à custa de toneladas de laca que tem uns outdoors para lá de pavorosos é demasiado pequena para ocupar o Palácio de Belém. E falo nos outdoors porque o último que tive o azar de pôr os olhos é claramente publicidade enganosa. Diz o cartaz que  para "unir os portugueses" se deve votar em Maria de Belém. Ora a única coisa que essa senhora parece ser capaz de unir é a sua farta cabeleira loura. Mas é à custa de toneladas de laca!
Para além de tudo isto, o nome da candidata Maria de Belém poderia dar a entender que estaria bem encaminhada para ocupar o palácio localizado na mesma área da capital do império. Já estou a imaginar as putativas manchetes do Correio da Manhã: "Belém tem uma nova Maria da mesma", ou "Belém em Belém" ou talvez "Belém no seu palácio". As possibilidades são infinitas.

Sampaio da Nóvoa é um quase desconhecido. Professor universitário, ex-reitor apoiado pelo PS (mas não é o único, ver MdB) tem um movimento semelhante no nome ao de um ex-presidente com ligações a uns vidros que nascem no chão num país africano cujo nome começa por A, termina em a e tem aleatoriamente no meio as letras ngol. O SNAP é a versão moderna do MASP embora o objetivo seja o mesmo: levar este sr até ao Palácio de Belém. Se quer ir até Belém há várias alternativas: transportes públicos como o metro, o autocarro, o eléctrico ou até mesmo de táxi. Em caso de dificuldade pode sempre contactar a über. Eles levam-no lá.

Edgar Silva o comuna da Madeira, conhecido pelas suas intervenções no Parlamento Regional da pérola do Atlântico e por nelas arrasar outra figura caricata da república das bananas. Nada contra o senhor mas, não chega termos um parlamento suportado por um "acordo" PS, BE, PCP e PEV? Também teremos de ouvir um presidente vermelho a clamar por justiça social e apoio à cultura das semelhas? De resto, para comuna usa muitas vezes gravata. Cheira-me a esquerda caviar...

Paulo Morais. Ex-vereador do urbanismo da Câmara Municipal do Porto. Impulsionador de uma Associação chamada Transparência e Integridade está claramente a correr por fora nestas eleições. Onde já se viu um político transparente e integro? Nem aqui nem na China! A incongruência é tão gritante que não tem a mais pequena hipótese de ser eleito. Embora admita que, enquanto exercício teórico e democrático, fosse interessante ter alguém com tais características à frente de um órgão de soberania do país. Desgraçada da Assembleia da República. E dos juízes do Tribunal Constitucional. Qualquer proposta de Lei seria escrutinada ao pormenor. Vai-se a ver e ainda passávamos a ter um presidente sério, preocupado com o país e mais importante, os seus cidadãos.
Estamos a sonhar, não estamos?

E por falar em sonhos: Vitorino Silva. Tino de Rãns para os amigos. Ou como já foi chamado por alguma imprensa maldosa o candidato Tiririca. O rapaz tem toda a legitimidade para se candidatar: juntou as assinaturas, entregou tudo no Constitucional e foi aceite. Anda em campanha a cantar um dos seus sucessos "Pão com Manteiga" com as vendedeiras do Bolhão. E faz muito bem! Sendo o homem calceteiro de profissão buracos para tapar é coisa que não falta por cá.

A esganiçada Marisa Matias (no dizer dessa sumidade, dessa personalidade brilhante de seu nome Pedro Arroja) é moça que me levava. O voto, bem entendido! Aquela voz rouca e sexy, juntamente com um discurso que corta a direito é coisa que cativa. A parte pior é que a candidata parece que está o tempo todo zangada. A moça até podia fazer um brilharete em Belém: Já estou a ver os jardins transformados em abrigos para os refugiados, os salões do Palácio em habitação social a custos controlados e o Museu da Presidência em estufas de teste para culturas hidropónica de orégãos holandeses.

Ainda há mais? Sim? Ora bolas... não sei quem são esses tais de Cândido Ferreira, Henrique Neto, Jorge Sequeira e duvido que o eleitor comum saiba. Lamento. Este é um blog democrático mas não vamos dar tempo de antena a quem não o tem tido na televisão.

No domigo dia 24 vote. Não interesse em quem. Mas vote.

E. entrega uma pizza # à fritei a pipoca; # à incendiário; à politicamente irrelevante

domingo, 22 de novembro de 2015

Estados falhados e a falha do Estado

Índice de Estados falhados; fundforpeace.org
O conceito de “Estado falhado” surge frequentemente associado àqueles países subdesenvolvidos que não têm estruturas básicas de serviço às suas populações. Mas, ao contrário do que esta designação possa indicar, estes não são países onde o Estado falhou, mas sim onde o Estado nunca chegou a nascer. Estes casos estão bem estudados pelos especialistas. De uma forma genérica, são caracterizados por uma corrupção generalizada, que permeia todos os segmentos da população e todas as actividades, um sistema político não democrático, cujos actores se eternizam no poder através da ausência de eleições livres, a ausência de uma máquina fiscal eficiente, um sistema judicial dependente do poder político e económico, e a ausência de uma imprensa livre e reguladora. Serviços públicos fundamentais, como educação, saúde e forças de segurança pública, não têm financiamento adequado. Infra-estruturas básicas, como estradas, escolas e hospitais, são deficientes. Os poucos serviços que existem são muitas vezes olhados como dádivas de um ditador benevolente, ou como benesses de senhores da guerra ou grupos organizados que controlam aquilo que, no terreno o Estado não consegue ou não quer fazer. Regra geral, a ausência da máquina administrativa do Estado não tem como origem um problema de financiamento, mas sim de gestão. Em muitos casos, estes países são muito mais ricos em recursos naturais do que países ditos desenvolvidos, recursos cujo rendimento passa completamente ao lado da larga maioria da população. Os poucos países que evoluem para um sistema democrático e mais igualitário são aqueles cujos cidadãos conseguem libertar-se das amarras da impotência e indiferença, e se substituem àqueles que se servem do sistema, edificando novas instituições que permitem, ao longo do tempo, a construção de um sistema mais equilibrado e mais justo.
Ao mesmo tempo, nos países industrializados, a tendência é a oposta. Prospera a ideia de que os Estados modernos cresceram excessivamente, e que a sua pesada burocracia limita o crescimento económico e a liberdade individual. Os mercados liberalizados deverão auto-regular-se e a economia de mercado deverá substituir a máquina pouco eficiente do Estado, passando os serviços privados a prestar os serviços básicos à população. Educação, saúde e transportes são as áreas centrais em que se verifica a transferência de competências e responsabilidades do sector público para o privado. E a principal justificação apresentada para esta tendência é, além da suposta ineficiência dos serviços públicos, o problema de financiamento do Estado. Paralelamente, as diversas instituições democráticas, que deveriam ser independentes entre si, e confiáveis aos olhos da população, vivem tempos de crise. Face à diminuição na quantidade e qualidade dos serviços públicos, a máquina fiscal é paradoxalmente cada vez mais pesada. O sistema judicial é demasiado lento e aparenta ser permeável à influência do poder económico e político. A dependência dos actores políticos em relação ao sistema económico e interesses privados levam a um crescente distanciamento dos eleitores em relação aos seus representantes, e a uma crescente sensação de indiferença, revelada por exemplo na diminuição da participação cívica e política da chamada sociedade civil, e nos elevados valores da abstenção em todos os actos eleitorais.
E aqui se fecha o círculo. Ao mesmo tempo que tomamos como garantido o facto de termos um Estado capaz de executar tarefas básicas, lentamente estamos a esvaziá-lo da sua capacidade real de interferir positivamente na gestão do país. Ao mesmo tempo que tomamos como garantida a democracia, abusamos das instituições democráticas, descredibilizando-as aos olhos da população. Ao mesmo tempo que tomamos como garantida a separação, responsabilização e regulação mútua dos poderes institucionais, assistimos à degradação diária das estruturas governativas e à evidente promiscuidade dos diferentes poderes instituídos. O desfecho lógico deste processo é claro, ainda que seja difícil reconhecer aos olhos daqueles que tomam como garantido tudo aquilo a que estamos habituados. Tal como os casos dos Estados falhados demonstram, quando o Estado desaparece, alguém ocupa sempre o vazio na estrutura do poder. É que quando o regime democrático deixa de funcionar para os cidadãos, que são, afinal, a razão da sua existência, perde a sua legitimidade e é apenas uma questão de tempo ser substituído por outro.

R. entregou uma pizza #à politicamente irrelevante

sábado, 14 de novembro de 2015

No coração do Prémio Nobel da Paz

O que aconteceu em Paris, a 13 Novembro de 2015, é deplorável e hediondo. Há a lamentar dezenas de vítimas inocentes. Todos nós as lamentamos. Disso não restam dúvidas. As redes sociais inundaram-se de sinais de consternação, pesar e apoio. Neste mesmo mundo, quantos de nós lamentamos as vítimas inocentes que os rebeldes sírios (apoiados pelos países europeus e EUA) fizeram na Síria? Quantos de nós lamentamos as centenas de vítimas que a NATO (o exército dos países europeus e norte-americanos) fez na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, no Mali e na Somália? Será que os países europeus alguma vez pensaram que podiam levar a guerra para o resto do mundo e que isso nunca iria regressar? Uma guerra é um confronto directo entre dois ou mais grupos distintos, utilizando-se armas para tentar derrotar o adversário. Uma guerra tem sempre dois lados, os dois atacam, os dois defendem. Quem faz a guerra sabe que, quando envia exércitos para atacar um determinado grupo ou país, esse vai retaliar. É a guerra. Será que os países de Europa não sabiam? Sabiam, claro que sabiam.

Mas a guerra hoje não é feita apenas com exércitos formais. A guerra não se restringe à disputa entre países. Há cada vez mais forças e poderes transnacionais e é aqui que entra o terrorismo. Os estados deixaram de dar resposta a uma grande fatia da população mundial e a segregação social levou à criação de grupos justiceiros que crescem um pouco por todo o mundo. Crescem na Europa, nos EUA, no Médio Oriente, na Ásia ou na Oceânia. Os excluídos de um sistema estadual são cada vez mais. A França, o Reino Unido, a Alemanha, os EUA, a Rússia, alimentam em jovens o exército do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). Segundo a ONU, há mais de 15 mil estrangeiros a combater nas fileiras do EIIL, provenientes de mais de 80 países. Os europeus estão na linha da frente com a França e a Bélgica a liderar o número de pessoas que se junta a este grupo.

No dia em que a UE recebeu o Prémio Nobel da Paz todos perceberam que o prémio era mal atribuído. Porquê? Porque a UE arrastava centenas de jovens muçulmanos, cristãos e ateus para a marginalização, cada vez são menos instruídos, educados e afastados da possibilidade de garantir um futuro melhor. Os subúrbios das cidades europeias estão a transformar-se em guetos sociais e raciais, onde se concentram cada vez mais jovens a quem os sistemas de educação não dão resposta. O desinvestimento na escola pública e a criação de cursos destinados a alunos excluídos afastou o ideal da igualdade na Europa. Jovens arrastados para a marginalização, para o desespero, desprovidos de valores morais tornam-se vítimas fáceis. A Europa não importou dos EUA apenas um modelo económico, com este veio também um modelo social e é a isso que a Europa assiste na actualidade. Esta segregação social, económica e racial ajuda a promover o fundamentalismo. Estes jovens são vítimas fáceis, não têm nada a perder, andam à deriva, têm famílias disfuncionais onde predomina o desemprego de longa duração. São estes jovens que partem para se alistar no EIIL. Infelizmente, o que aconteceu em Paris é o resultado de algo muito mais complexo do que um simples "foi o Estado Islâmico" e infelizmente, há a lamentar milhares de vítimas inocentes espalhadas pelo mundo, franceses, sírios, espanhóis, afegãos, ingleses, iraquianos, somalis… Há, no entanto, que fazer muito mais do que espalhar o medo.

Felizmente, o Islão não é o Estado Islâmico. Fundamentalistas há-os em todos os cantos, quer no Islão, quer em Israel, quer na Europa. Mas será sobre a comunidade islâmica que o mundo irá exercer a suas frustrações, os seus devaneios e, principalmente, o seu medo. Sim, porque o terrorismo vive do medo e o medo é uma arma poderosa. Podemos e devemos ter medo, mas não podemos deixar que o medo molde os nossos julgamentos. O EIIL é um grupo fundamentalista islâmico que aterroriza o Médio Oriente. É deles que fogem os refugiados que correm aos milhares para a Europa. É contra eles que a população com medo ergue a sua voz. O medo leva a que os europeus tenham medo daqueles que fogem do medo. É estranho. Vivemos num mundo complexo e a humanidade parece escapar-se entre os dedos das mãos da população, como se de areia fina se tratasse. Marine Le Pen pode ter ganho as eleições francesas na noite de 13 de Novembro e isso é uma vitória do medo sobre a humanidade.  

C. entrega uma pizza #à são todos pretos e #à politicamente irrelevante
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