Mostrar mensagens com a etiqueta à soda cáustica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta à soda cáustica. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de março de 2016

Sic transit gloria mundi

Embora estas glórias sejam pouco gloriosas, nos dias lentos que correm rápidos ao ritmo dos soundsbytes propagados pelos media. Sim, os chamados media sociais também!

E de que "glórias" vos quero falar?

Vejamos:
1. A múmia foi-se embora. Embora, tal como nos idos de 1995 me pareça que vá "continuar por aí" a atormentar-nos como os fantasmas dos natais passados dos contos de Dickens.

2. Em seu lugar temos "o amigo de todos". Conhece toda a gente, fala com todos, de tudo e tem sempre opinião. E qual cereja em cima do bolo, dá-a!
Fico com a sensação que vão ser uns cinco anos muitos animados para as bandas de Belém! Mal posso esperar por Dezembro e pela mensagem de Natal do Sr. Presidente da República! Será que também vamos ter direito a sugestões de livros para oferecermos como presente?

3. O cerco continua a apertar-se à volta daquela pessoa que tem mais distúrbios de personalidade do que a psiquiatria é capaz de diagnosticar. Não me estou a referir a outro que não seja o ex-primeiro. Não é o PPC. É o sr. Pinto de Sousa. A única diferença é que um já esteve preso. O outro para lá caminha se a Justiça tiver vontade de investigar a sério temas sensíveis como a Tecnoforma e outros que tais que foram surgindo durante a legislatura anterior. Mas voltando ao sr. Pinto de Sousa: vergonhoso espectáculo decadente o da publicação/visionamento/ exibição de algumas das escutas e gravações dos interrogatórios que foram feitos no âmbito da chamada "operação Marquês". Retive uma passagem em que uma das companhias femininas remata uma conversa telefónica com um comentário: " Buraco és tu!" Pareceu-me apropriado!

4. A Europa continua sem saber o que fazer aos milhares de refugiados que continuam a chegar diariamente às suas fronteiras. Bem, para dizer a verdade, a Europa continua sem saber o que fazer com a Europa! Os responsáveis políticos dos Estados-membros da União Europeia criaram uma teia económica, política, tecnocrática, burocrática e tão perfeita que acabaram, por sua própria iniciativa, enredados. A patroa sofreu uma derrota nas eleições regionais lá na sua quinta, mas nem por isso me parece que as coisas irão mudar. O BCE baixou a taxa de juro de referência para uns espantosos 0%! O dinheiro está barato. Tão barato que o programa de compra de dívida dos países da UE continua e vai ser reforçado. Full speed ahead. In the wrong direction! Nem quero imaginar o estouro que vai ser! Ou isso ou uma solução à americana: a dívida é monstruosa, mas a FED continua a imprimir dinheiro! Desde que ninguém repare e faça perguntas está tudo bem!

5. Do outro lado do Atlântico o regabofe continua: a "presidenta" Dilma resolveu os problemas do seu padrinho Lula chamando-o para ministro do seu governo. E ainda dizem que é preciso reforçar as relações luso-brasileiras: lá como cá, o crime compensa, continua a compensar e embora o povo proteste na rua, a justiça para além de cega, está surda, muda, tetraplégica e... Notícia de última hora: acabam de me informar que sofreu um AVC fulminante que a vai deixar em estado (ainda mais) vegetativo. A babar-se para cima dos processos até que eles prescrevam.

6. Os srs. do DAESH, a.k.a. ISIS, a.k.a. Estado Islâmico, a.k.a. esses filhos da puta, andam a rebentar com cidades inteiras, a destruir obras de arte património mundial, a violar, matar, decapitar, estropiar de forma mais ou menos aleatória continuam vivos e bem de saúde. A coligação internacional, de vez em quando, lá consegue mandar alguns mais cedo para junto das suas virgens que os esperam no paraíso, mas perdas de monta, por exemplo, nas fontes de financiamento e nos fornecedores de armamento, curiosamente, nada se faz. Porque será? Agora fiquei curioso...

E. entregou uma pizza #à soda caústica; #à coçador ; #à politicamente irrelevante

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Expectativas

"Eu também estive cinco meses (com governo) em gestão" diz o menino Aníbal numa atitude birrenta do alto dos seus cinco anos de idade. Eu sei que o melhor do mundo são as crianças. Mas também sei que as crianças têm de ser educadas. Temos de lhes transmitir confiança, acarinhá-los, dar colo, mudar a fralda, ensiná-los a respeitar os mais velhos, passar-lhes valores como a partilha, a amizade, o respeito e a decência.

O comentário, feito por aquele a quem o ex-presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim uma vez chamou "Sr. Silva", revela uma de duas coisas: os pais do Sr. Silva não fizeram bem o seu trabalho em Boliqueime ou o Sr. Silva que até chegou a professor universitário, pode ser bem muito bom economista mas não será tão boa pessoa ou tão bem formado quanto merecíamos.

Nada disto seria grave ou até digno de nota, se o Sr. Silva não fosse o Presidente da República Portuguesa e quem tem em mãos, no momento em que escrevo, a decisão de dar um Governo ao país. (Antes que me caiam em cima: sim! Eu também sou daqueles que acha que não nos faz falta nenhuma um Governo. Senão vejamos: tudo tem funcionado na forma do costume. Os serviços públicos não pioraram por estarmos sem Governo, há combustível nas bombas, comida nas prateleiras dos supermercados,...)

Como eu dizia (ou melhor escrevia!) a atitude do Sr. Silva revela pouco respeito pelos cidadãos portugueses, pelas instituições democráticas, nomeadamente a Assembleia da República, pelos partidos políticos (O que não sei se se pode criticar muito. Alguns põem-se a jeito!), mas a parte pior é o comportamento do sr. Silva em protelar dar um Governo ao país, estar a colocar em risco o país. Não fui fã da atuação do moribundo governo de coligação PSD CDS-PP. Mas os "mercados", as agências de rating, a Comissão Europeia, a troika e a Merkel gostaram. Não que isso me entusiasme, mas saber os juros da dívida desceram e que o clima económico melhorou, não se pode dizer que sejam más notícias. Pena que esses resultados tenham sido obtidos à custa dos trabalhadores em benefício das instituições criminosas digo, financeiras, dos quais se destacam, BPN, BPP, BES, BANIF Novo Banco e sabe-se lá mais quem.

Eu estou um bocadinho cansado de ter cortes no vencimento, de receber o subsídio de natal em duodécimos, de pagar mais sobretaxa de IRS, mas principalmente estou cansado do sr. Silva, a múmia. Em 1995 na tomada de posse do primeiro governo do Eng. Guterres foi-se abaixo das canetas, no 10 de Junho do ano passado diz que foi uma reação vagal.

 Mal posso esperar pela tomada de posse do novo Governo saído da maioria de esquerda existente no Parlamento para saber qual vai ser a travadinha que vai dar ao Sr. Silva.

E. entrega uma pizza #à soda cáustica  e #à coçador

sábado, 14 de novembro de 2015

Bataclan, refugiados, globalização e tudo isso

O presidente francês classificou os acontecimentos da noite do dia 13 de Novembro como “um acto de guerra”. São isso mesmo, nem mais, nem menos. Estes actos terroristas não são actos contra os regimes democráticos. Mas a resposta dos nossos líderes poderá ser, se a opinião pública se deixar amordaçar um pouco mais para garantir a sua dita segurança. Estes actos terroristas não são actos contra a civilização. Mas a resposta dos nossos líderes poderá ser, se continuar a escalada de guerra em territórios longínquos. A história conhecida dos homens ensina-nos que a civilização está assente na barbárie. Uma não existiria sem a outra. E a nossa não é excepção. São actos bárbaros? São. Os terroristas atiraram indiscriminadamente? Sim. Mas esta barbárie apenas imita a barbárie de bombardeamentos de aviões e drones, que matam indiscriminadamente e são ordenados pelos nossos líderes. São actos de guerra legítimos? De acordo com a convenção de Genebra, ou outras leis que rejam a conduta de guerra, não. Mas na prática, no terreno, sim, são. O terrorismo sempre foi a arma dos beligerantes mais fracos, muitas vezes a única forma de combater um inimigo muito mais forte. Tempos houve em que os nossos antepassados lusitanos, tão glorificados quando nos convém, eram terroristas bárbaros face ao império romano. Ou os angolanos que combatiam no mato nos anos 60, terroristas face ao regime de Salazar, mas mais tarde legitimados pela descolonização. E os exemplos podiam encher páginas. Mas qual a diferença entre estes actos e os do século XXI? Como em quase tudo que se passa no mundo, a explicação passa pela a globalização. Enquanto no passado, os terroristas não tinham outra opção senão fazer a guerra no seu próprio território, hoje é-lhes possível trazer o terror às portas daqueles que, em primeiro lugar, o trouxeram para os seus países. 

Estes actos também não são fruto de fundamentalismo islâmico. Repito, são actos de guerra, perpetrados como retaliação a actos que são cometidos pelos nossos países, a milhares de quilómetros de distância, com o nosso consentimento, implícito ou explícito. Os ideais religiosos ou políticos foram sempre uma capa para esconder a verdadeira razão da guerra: a luta pelo poder e domínio sobre os outros. E as guerras de hoje não são excepção. Durante o período da guerra dita fria, o calor da verdadeira guerra aqueceu grande parte do globo. América do Sul e Central, Ásia e África foram alvo dos interesses dos dois grandes beligerantes, sob a capa do antagonismo dos ideais políticos. Mas após a queda da URSS, tudo ficou mais claro, mais límpido. As guerras que se seguiram, não só as intervenções militares dos EUA e seus aliados, mas também as guerras civis instigadas pelo Ocidente, das quais a guerra na Síria é o exemplo mais flagrante, mostram algo que já se verifica há 500 anos, mas que hoje é mais fácil de se tomar consciência: o mundo ocidental está em guerra com o resto do mundo. O nosso estilo de vida, com todos os seus aspectos positivos, quer materiais, quer institucionais, tem um lado lunar. A nossa sofisticação material e política tem um custo; as nossas democracias são construídas à base do amordaçamento da liberdade de expressão noutros países, os nossos carros andam com combustível que alimenta a pobreza, as nossas roupas de marca são feitas de trabalho infantil e escravo, as nossas cidades são construídas sobre os escombros de regimes ditatoriais. A guerra em Damasco já mata há 5 anos; mas só nos lembramos dela quando vemos as imagens dos bombardeamentos, ou dos cadáveres de refugiados a flutuar no Mediterrâneo. Ficamos chocados quando a guerra chega às ruas de Paris. E fingimos que não temos responsabilidade; somos inocentes; as vítimas de Paris eram inocentes. Não, não eram. Não, não somos. 

Uma das características, talvez a mais central, de um Estado de Direito democrático moderno deverá ser uma opinião pública esclarecida. Só dessa forma é que os regimes democráticos resistirão aos desafios do século XXI, não resvalando para regimes autoritários. Mas as elites governativas não têm interesse numa opinião pública esclarecida. O status quo tem de ser mantido, a todo o custo. Têm de ser as próprias populações a acordar para a realidade, senão acordarão ao som de bombas. Nós, a opinião pública dos países ocidentais, temos de nos confrontar com a realidade exterior aos nossos próprios países, por muito difícil e custoso que isso se venha revelar. Temos de tomar consciência dos actos perpetrados pelos nossos governos no Médio Oriente e em África, e das suas gravosas consequências. Temos de perceber porque milhares de pessoas fogem dessas regiões e se dirigem para os nossos países. 

E depois temos de decidir. Podemos lutar para que os nossos governos mudem, fazendo pressão através do voto, mas não só, para que os interesses económico-financeiros não sejam os únicos a ditar a política externa dos nossos países, e para que o nosso estilo de vida não tenha de ser construído em cima da miséria de outros. Se esta tomada de consciência for feita por iniciativa própria, poderemos poupar a Europa a um prolongamento sem fim do terrorismo no nosso território. Ou, podemos apoiar a política vigente, e passar a encarar o terrorismo como um mal necessário. Assumimos a nossa posição beligerante, do lado daqueles que nos trouxeram até aqui, construímos muros, e reconhecemos que o nosso modo de vida é o bem supremo, lidando bem com o mal-estar dos outros, desde que longe da vista. A opção está nas nossas mãos. Se deixarmos a decisão entregue apenas aos nossos governos, a escolha já foi feita. 

R. entrega uma pizza #à sodacáustica, #à fritei a pipoca e #à incendiário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...