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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

As lições de Trump

cbc.news
Confirmou-se a grande surpresa: Donald Trump é o presidente eleito dos EUA. Os media, os opinion makers, a vox populi, todos erraram. De uma forma, ou de outra, fez-se história. Que conclusões podemos nós retirar de tudo o que aconteceu?

1. Em termos práticos, os resultados eleitorais são inegáveis. Dada a natureza do sistema eleitoral americano, Trump nem precisou de ter mais votos a nível nacional. Mas ganhou nos estados onde era suposto ganhar, e, principalmente, ganhou nos estados indecisos mas decisivos, tais como Florida, Ohio ou Carolina do Norte, e até em alguns estados que eram democratas há décadas, tal como no Wisconsin (“azul” desde 1988). Regra geral, Clinton ganhou apenas nas costas oeste e nordeste, urbanas, populosas e cosmopolitas. Nos estados indecisos, Clinton ganhou apenas nas principais cidades, perdendo no cômputo geral. Mas o resto do mapa eleitoral acabou pintado de vermelho, ditando o destino de Trump e Clinton. Finalmente, o processo eleitoral e democrático decorreu sem falhas e sem qualquer indício de fraude (hipótese aliás levantada por Trump).
business insider

2. Em termos de personalidade do candidato, há quem classifique Trump como “fascista” e uma ameaça real à democracia e à estabilidade mundial. Este receio, no entanto, é, no mínimo exagerado e prematuro. Durante o longo caminho de campanha (Trump anunciou a sua candidatura em Agosto de 2015), Trump revelou-se tão democrata como qualquer outro candidato, respeitando a orgânica do sistema e os processos em vigor. Demonstrou um estilo pessoal “fora da caixa”, uma vez que se apresentou como sendo um não-político, vindo de fora do “sistema”, mas a verdade é, com excepção de “bocas” lançadas a adversários que roçaram o mau gosto, actuou (do ponto de vista formal e político) durante toda a campanha de forma semelhante a Clinton. Até agora, nada, absolutamente nada, nos indica objectivamente que Trump é uma ameaça ao regime democrático. Claro está que, como em relação a qualquer outro presidente eleito, o eleitorado deve estar atento a “comportamentos desviantes” (políticos), de forma a evitar a desvirtuação do sistema democrático. Mas, repito, isso aplica-se a qualquer vencedor das presidenciais.

3. Ainda a este respeito, deve-se acrescentar a própria natureza do sistema político americano, com base nos “checks and balances” dos diferentes ramos do sistema democrático. O Presidente representa o ramo executivo (que aplica as leis) mas é vigiado, aconselhado, por vezes apoiado, mas também confrontado, pelos ramos judicial (que interpreta as leis) e legislativo (que redige as leis). O sistema foi pensado de forma que nenhum ramo tivesse o poder absoluto e tem funcionado bem até agora. Mas também é verdade que Trump é eleito com uma maioria no Senado, no Congresso, e no Supremo Tribunal de Justiça. Mas, nos EUA, a maioria do mesmo partido não significa uma obediência cega do poder legislativo ao poder executivo, como acontece, por exemplo, em Portugal (em que os deputados se limitam a acenar com a cabeça às iniciativas do Governo). E, em 2018, sempre há novas eleições para o Congresso. 

4. O principal ponto a favor de Trump foi apresentar-se como um agente de mudança, o candidato contra o status quo, medindo forças com Clinton, figura máxima do “establishment” americano. Até que ponto irá ele satisfazer os seus eleitores e ser, realmente, diferente daqueles que o precederam, eis a questão. Mas é sempre esta a questão, quando se fala de um candidato recentemente eleito. Irá desiludir, não cumprindo o que prometeu? No caso de Trump, rios de tinta correram nos media sobre algumas declarações de Trump, nomeadamente no que se refere à emigração. Mas, enquanto a maioria dos políticos altera o seu discurso depois da eleição, Trump foi-o fazendo ainda durante a campanha eleitoral! Na realidade, Trump apresentou duas faces bem diferentes, uma mais radical durante a campanha das primárias republicanas (onde enfrentava candidatos igualmente radicais) e durante a campanha contra Clinton, onde se revelou muito mais contido, em particular nos debates televisivos, onde teve uma postura e desempenho muito semelhantes a Clinton. Trump “candidatável” não foi o mesmo de Trump presidenciável, e certamente não será o mesmo de Trump presidente. O discurso de Trump na noite da eleição já foi bem diferente no tom e na substância, em particular no que toca à sua adversária. Antes, acusava Clinton de corrupta e ameaçava-a de prisão. Agora, elogia e agradece o trabalho árduo e longo que Clinton fez ao serviço do país. Ou seja, parece ser muito mais provável que Trump desiluda os seus eleitores do que se revele tão radical como presidente quanto o foi nos seus primeiros tempos de candidato nas primárias do Partido Republicano.

en.wikipedia.org
5. Last but not least, a eleição de Trump revela que a América não é aquilo que os europeus querem que seja; não é aquilo que os comentadores políticos dizem que é; não corresponde à imagem que os meios de comunicação fabricam. Grande parte do eleitorado americano é nacionalista, isolacionista, racista, pouco (ou nada) preocupado com os problemas do ambiente, com crenças religiosas fortes (alguns criacionistas), e crente no papel especial do seu país aos olhos de Deus. Para o eleitorado que o elegeu, Trump personifica estes ideais. E, acima de tudo, Trump simboliza o sonho americano, mesmo nascendo num berço de ouro, um homem do topo que soube relacionar-se com trabalhadores, participou em filmes, foi responsável por um reality show de sucesso. E se, como escreveu Shakespeare, o mundo é um palco, ou como disse Chaplin, a vida é uma peça de teatro, então Trump é um actor e uma personagem que soube conquistar o seu público. Mas esta peça não permite ensaios, restando descobrir se as cortinas se fecharão com aplausos ou assobios. 
R. entregou uma pizza #à amigo secreto

quinta-feira, 31 de março de 2016

Felicidade à la carte ou “Oh faz favor! São 200g de felicidade”


Sentado no meio da sala de jantar vazia da pizzaria. Mais um dia longo de trabalho concluído. Tudo limpo, forno, cozinha arrumada, chão e mesas impecáveis. Vem-me à memória a alegria que há poucas horas enchia esta casa. Trabalho num dos locais mais fantásticos do mundo. A par de alguns -poucos- outros sítios, como os parques de diversões ou jardins públicos, as pizzarias são um daqueles locais onde os sorrisos são frequentes, onde a felicidade é tangível. Gosto de pensar que sirvo felicidade às fatias. E é esta felicidade que agora me toma de assalto os pensamentos. Andamos ávidos dela. Julgo que nunca como nos tempos que correm a tomamos por certa. Nunca como agora a damos por adquirida e imediata. E é este caráter imediato que me inquieta. Julgo que esta felicidade ao virar da esquina nos vem da insatisfação permanente, deste conceito mais ou menos difundido que nos está destinada, que a ela temos direito, a toda a hora e de forma absoluta. Explico a um amigo imaginário que sentado à minha frente, nesta sala vazia, me olha condescendente. A insatisfação advém deste colecionismo de coisas, pessoas ou situações que todos nós fazemos, em grau diferente confesso, mas fazemos. À distância de um click, de uma compra no eBay, de uma ida ao centro comercial ou à baixa, enchemo-nos a nós e às nossas casas de “coisas”. Seja o sofá- lindo de morrer-, a roupa ou o calçado da estação, ou o “smartqualquer coisa” … a tecnologia, ah… estes brinquedos tecnológicos que nos caçam sem dó. Nem adianta fugir… mas há sempre a “Black Friday”, o novo lançamento, a atualização, as novas tendências… Fábricas de insatisfação  “Colecionamos pessoas também?” Pergunta-me o tal que ocupa invisível o lugar à minha frente. Sim… devolvo-lhe o olhar condescendente. Nesta busca incessante colecionamos afetos. Num mundo cada vez mais pequeno, virtual ou fisicamente, procuramos as pessoas que queremos, que precisamos, que se ajustam a nós, numa lógica cada vez mais “prêt-à-porter”. Somos mais de 7 mil milhões, há para aí gente que “me sirva” aos pontapés. Colecionamos companheiros, amantes, amigos, famílias… até famílias. Costumamos catalogá-los, é mais fácil: os virtuais (chegam a ser aos milhares), os de uma noite só, os do trabalho, dos copos, dos jantares formais e/ou informais, dos passeios, das viagens, das aventuras e de mil e uma outras categorias que inventamos da forma que nos aprouver. Se não formos muito excêntricos, tornamos descartáveis só um pouco menos de 7 mil milhões de almas. Toleramos cada vez menos, suportamos o mínimo… a oferta é grande!!!!!  “Antes que me interrompas” digo ao tal que etéreo partilha comigo a mesa do restaurante da felicidade. Nem vou perder tempo com o colecionismo de situações que a todos nos torna viciados, agarraditos. Dez minutos numa qualquer rede social e é ver o bacanal de felicidade que as experiências com mais ou menos adrenalina nos vão proporcionando. “CHEGA” diz-me o meu interlocutor, (de tão interventivo desconfio da sua quase existência). “Felicidade é o grau de concretização de expectativas”, continua ele. “Num mundo mais livre, mais democrático, mais globalizado, só tu para veres forças demoníacas a controlar esta aspiração natural do ser humano em ser feliz!!!”  Respiro… Explico-lhe que felicidade para mim precisa de tempo para germinar, para crescer, para ser saboreada e que no mundo de hoje ela é exigida na hora. É tempo de fast food… de felicidade ao peso e pronta a ser consumida…. Vêm-me à memória a bofetada de realidade que levei a última vez que fui ao cinema com a minha filha. Em mais uma animação fantástica da Pixar, o protagonista lutava pela sua felicidade, tolerando a diferença, congregando vontades diversas, sendo fiel e dedicando o seu tempo aos que lhe estavam próximos, valorizando os mais frágeis, cultivando de forma abnegada afetos, maravilhando-se com as coisas simples. À saída, ainda empanturrado pelas pipocas, embevecido pela atmosfera criada na película e rindo de algumas piadas bem conseguidas, dou por mim enterrado num centro comercial à pinha, cheio de gente que não se olha, que se envaidece pelo volume e logos dos sacos, numa pressa por se aturdir em felicidade…  Se calhar é de mim… Se calhar a felicidade está mesmo aí à mão de semear…

A. entregou uma pizza à #amigo secreto

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Parabéns, Dr. Hawking!


gradiva.pt
No início dos anos sessenta, um jovem investigador na Universidade de Cambridge dava os seus primeiros passos no estudo de um tópico da física que a maioria da comunidade científica considerava um beco sem saída, uma área mais dada aos devaneios religiosos ou às visões místicas do que aos cálculos matemáticos, a cosmologia, o estudo do início do Universo e da sua evolução como um todo. Aos 23 anos de idade foi-lhe diagnosticada uma doença neurológica degenerativa que levaria à atrofia de todos os músculos do seu corpo culminando na morte. Os médicos prognosticaram-lhe dois anos de vida. Mas tal não se concretizou. Em 2009, este jovem retirou-se, como professor em Física Teórica na Universidade de Cambridge, da cátedra ocupada outrora por Newton e Dirac e é, provavelmente, o físico mais conhecido do mundo, de seu nome Stephen Hawking. O que o tornou tão mediático foram tanto as suas descobertas na área da cosmologia como a sua luta constante contra uma doença que lhe paralisou por completo o corpo e fala, mas não lhe diminuiu as suas extraordinárias capacidades de pensamento lógico-matemático e abstracto. Além disso, tornou-se mundialmente conhecido como divulgador científico com o seu livro bestseller "Breve História do Tempo", que pessoalmente ainda me lembro de ler com fascínio na adolescência.
Capa do livro que inspirou uma geração
Do ponto de vista físico, é uma pessoa que, desde há mais de 40 anos, é totalmente dependente de outros para as tarefas mais básicas necessárias à sobrevivência. Neste campo, recomendo a leitura da biografia da primeira mulher de Hawking, Jane, (e que deu origem ao filme "Teoria de Tudo"), onde é apresentado um relato comovente de uma casamento que durou 30 anos e que confirma a velha máxima (goste-se ou não do seu tom machista) que “por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher”.
Mas do ponto de vista da Física, a ascensão de Hawking foi meteórica, acompanhado por alguns companheiros, mas visto e admirado de longe por todos os outros. No final dos anos sessenta e início dos anos setenta do século XX, do esforço conjunto das mentes de Hawking, Roger Penrose e outros, surgiu um corpo de ideias que descrevem, com um grau de consistência interna notável, as condições, mecanismos e resultado final do colapso gravitacional de estrelas, e os buracos negros como possível resultado desses processos, assim como um aprofundamento da própria estrutura do espaço-tempo. O ponto mais alto alcançado nesta batalha pelo conhecimento foi o estabelecimento dos chamados ‘teoremas de singularidades’. Estes físicos utilizaram técnicas matemáticas inovadoras para demonstrarem uma série de teoremas baseados no modelo clássico da estrutura do espaço-tempo que previam, a verificarem-se determinadas condições, a ocorrência de ‘singularidades’ na estrutura do espaço-tempo, regiões ou pontos que têm de ser retirados do espaço-tempo, não sendo possível definir neles as equações de Einstein e não sendo, portanto, possível prever, com base apenas na teoria actual, nada mais além. Revertendo a ordem no tempo destes argumentos, Hawking e Penrose provaram que o Universo, actualmente em expansão, teve necessariamente de ter início num ponto singular, onde as leis físicas actuais deixam de ser válidas, sendo a compreensão deste facto o “Santo Graal” da física moderna, busca essa em que Hawking participa ainda activamente, com os seus 74 anos de idade, feitos hoje.
Tal como Hawking já disse (ou melhor, digitou com o seu único dedo móvel num teclado e cujo sintetizador de voz reproduziu), este descoberta é imensamente superior à descoberta de uma qualquer partícula elementar, mas o comité Nobel ainda não reconheceu a sua importância. Esperemos que não se atrasem demasiado, pois mesmo Hawking não é eterno e um dia a morte libertará esta mente brilhante do seu corpo aprisionado.

R. entregou uma pizza #à amigo secreto #à neutrinos à solta

sábado, 21 de novembro de 2015

Família

A Assembleia da República aprovou esta semana a adoção por casais homossexuais.
O preconceito prontamente se levantou. "Uma criança deve der gerada por um ser masculino e um ser feminino. Uma criança deve ser criada por um homem e uma mulher."
Se considerarmos estas premissas vindas de uma visão conservadora e católica então Jesus é um bom mau exemplo... não cumpre logo a primeira parte da premissa afinal... foi gerado por uma mulher e uma entidade etérea e extra-terrena cujo género desconhecemos apesar de se querer há muito tempo fazer crer que é um homem...
Se calhar, porque foi gerado desta forma é que se tornou no rebelde que alguns vêm nele.

Ora portanto temos que cada ser humano precisa, condição sine qua non, de ser criado por um homem e uma mulher. 
Perderam a mãe ou o pai ou dois bem cedo na vossa vida? Estão condenados ao insucesso social, emocional, profissional.
Foram criados pela vossa mãe e a vossa avó? Vão degenerar! 
É garantido... ou temos um pai e uma mãe ou vamos ser cepa torta.
Se, pelo contrário, formos criados por um casal heterossexual então o scesso é garantido. Vamos ser pessoas de bem, bem estruturadas, bem formadas, capazes!

Todas as pessoas más que existem na nossa sociedade terão sido, certamente, criadas por casais homossexuais ou monoparentais. E nenhuma criada nestas condições se aproveita! Afinal faltou-lhe uma referência, não é? São ou serão maus, desorientados, com mentes distorcidas e sem valores.
Toda a gente sabe que a falta de afeto, de amor, de carinho, de compreensão e de tolerância é exclusivo das famílias homossexuais ou monoparentais.
Toda a gente sabe que só nestas famílias há violência, abusos, desrespeito, indiferença.

Os casais homossexuais são mau exemplo! Os beijos entre os elementos do casal não são sinal de afeto, são badalhoquice, "balha-me" deus! E essa gente só faz ordinarices à frente das crianças...
As crianças precisam mesmo de uma família heterossexual para perceberem bem qual é o seu lugar na sociedade. A lavar louça e a fazer a comida se forem mulher, a ler o jornal e a gritar a ver a bola se forem homem. Estamos perdidos se não temos estas referências!

Quanto às criancas que estão institucionalizadas (seguramente provenientes de famílias monoparentais ou homossexuais)... estão muito melhor nos lares, a salvo da frieza, dos maus tratos, dos abusos, da massificação do que estariam numa família dessas.
Os lares são sempre uma escolha preferível a um casal homossexual ou a um pai/mãe que queira criar uma criança...

Felizmente o nosso país, cheio de defeitos e problemas, é cada vez menos casa do preconceito e do conservadorismo alheado da realidade.
Felizmente Portugal deu mais um passo no caminho do bem-estar social, do verdadeiro desenvolvimento. Um passo muito mais importante do que uma qualquer subida nos rankings de agências de notação ou do que evolução de pontos percentuais no PIB.

Somos hoje uma sociedade mais justa e evoluída e por isso devemos orgulhar-nos. 
Somos um elemento mais válido da família da humanidade e do humanismo.


J. entregou uma pizza à amigo secreto e #à são todos pretos

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

“O bem não é exclusividade da França, da Europa ou do Ocidente”


“O bem não é exclusividade da França, da Europa ou do Ocidente”

A propósito do seu novo livro "Mulheres de cinzas" lançado esta semana no Brasil.  "...tanto a violência em nome de Deus feita pelos radicais islâmicos, quanto essa ideia maniqueísta de que o Ocidente é o bem que está sendo atacado pelos outros, que são o mal. É preciso se solidarizar com a França, claro, o ataque foi terrível, mas também precisamos estar atentos às pessoas que estão passando pelo mesmo em outras partes do mundo. Não se pode esquecer que esses atentados são quotidianos no norte de África, no Médio Oriente … O que aconteceu em Paris acontece toda as semanas em outros lugares do planeta, e a nossa solidariedade não se manifesta da mesma maneira quando isso ocorre na Europa. Quando o Estado Islâmico massacra pessoas na Síria não estão a atacar a civilização também? Não estão a atacar o bem? O bem não é exclusividade da França, da Europa ou do Ocidente."
Assertivo e interventivo.... como gosto...


A. entregou uma pizza # à amigo secreto

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