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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Eu só quero ver...



Portugal está a arder.
E qual é a novidade?
Estranho seria senão estivesse.
Todos os anos o mesmo cenário; todos os anos os mesmos argumentos estafados, puídos e gastos. Todos os anos as mesmas falhas.

Quem não falha são os bombeiros que andam dias seguidos a combater o fogo pelo mor à camisola. Vivemos num mundo tão miserável em que um jogador de futebol factura milhares, mas um bombeiro tem de ser voluntário porque o Estado (leia-se: ´NÓS!!) assim o desejamos. Não? Então porque não há  movimentos da sociedade civil a exigir a criação de corpos de bombeiros profissionais?

As políticas de gestão e organização da floresta há anos que nos encaminham para uma eucaliptização do país, tudo com o beneplácito dos diferentes níveis de governação e poder: dos presidentes de câmara, CCDR's, Ministérios e Governo. E o silêncio ensurdecedor das indústrias da celulose e pasta de papel.

O fim, na prática, da Guarda Florestal que agravou e muito o descontrolo das áreas florestais, limpeza e conservação de caminhos, vigilância, alerta e intervenção.

O subfinanciamento das Áreas Protegidas, sejam elas Parques Nacionais (só temos um, infelizmente), Parques Naturais, Reservas ou outras denominações que não permitem intervenções de fundo no território nem o aproveitamento das potencialidades endógenas destas áreas. Como os presidentes do Parques Naturais são escolhidos pela cor do cartão partidário, não há interesse, nem vocação, nem vontade, nem saber para fazer melhor. O que interessa é encher. Os bolsos, o currículo, fazer uns favores que mais tarde possam ser cobrados.

A inexistência de um sistema nacional de cadastro dos proprietários florestais que permita a responsabilização de quem não fizer a limpeza da floresta

Os meios de combate são ineficazes: Não há dinheiro para equipar as corporações substituindo viaturas com dezenas de anos de uso e milhares de hora de operação efectiva mas há dinheiro para comprar carros de luxo para a Assembleia da República, Ministérios, Presidência e outros que tais.

Os meios aéreos são insuficientes. E caros, acrescento eu. E mal coordenados. Não há muitos anos, a Força Aérea Portuguesa actuava em operações de combate a incêndio com custos bem menores e resultados melhores. Porquê pagar a privados se temos os meios e o pessoal necessário já a ser pago pelo dinheiro dos contribuintes?

Portugal a arder e nada a fazer.
Não se fazer uma fogueira no Terreiro do Paço e soltar o fogo a quem nos governa e tem desgovernado nos últimos 40 anos...

Aí, até é eu me tornava pirómano!
Se quiserem posso contribuir com uma caixa de fósforos!

E. entregou uma pizza #à incendiário, #à tou que nem posso, #à coçador

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Nós merecemos melhor, muito melhor…

lusonoticias.com
Como seria o mundo se todos conservássemos a inocência e frontalidade de uma criança? Seria possível haver um mundo de adultos em que estes continuassem a ter os valores simples e básicos da infância? Como é que o Homem chegou aqui?
Há muito que sabemos que os valores que regem a nossa sociedade são cada vez mais efémeros, desonestos e fúteis. As coisas foram mudando, lentamente, sem nos apercebermos em que direcção caminhávamos. Quando as alterações são bruscas tendem a gerar reacções mas quando são feitas de forma faseada vamo-nos habituando. Não oferecemos resistência e deixamo-nos atropelar. Tenho sentido isto cada vez mais. Não sei se é por andar mais sensível ou por chegar a uma altura em que tudo o que me rodeia me parece irreal. As coisas hoje passaram a ser feitas à descarada, sem vergonha nem culpa. Podia estar a falar de milhares de coisas, das relações amorosas, da vida profissional, mas não, neste caso estou a falar daquilo que tem acontecido aos portugueses e à forma como vemos a nomeação dos nossos ex-governantes para cargos em instituições financeiras internacionais. Primeiro indignamo-nos com as nomeações para empresas nacionais e multinacionais, e estou a falar de pessoas como Jorge Coelho ou Eduardo Catroga. Mas essa indignação era pequena. Nunca passou de “arrufos de namorados”, daqueles que os próprios namorados acabam por esquecer.
Mas um dia, Maria Luísa Albuquerque, ex-ministra das Finanças durante a crise, é nomeada para uma das empresas que mais lucrou com a crise portuguesa. Vítor Gaspar, o seu antecessor, já tinha saído para ir para o FMI, a instituição responsável pela gestão da dívida portuguesa. Pouco tempo depois, Durão Barroso, ex-Primeiro Ministro português e ex-presidente da Comissão Europeia, é nomeado para a Goldman Sachs, um dos bancos responsáveis pela crise mundial que estalou em 2008 e que atirou a Europa, e especialmente os países periféricos, para uma crise económica e humanitária sem precedentes desde a II Guerra Mundial. 
E nós o que fizemos? Indignámo-nos; mostrámos desagrado. Sentimos nojo, vergonha. Sentimo-nos culpados. Tal como fazemos quando sabemos que alguém nos traiu ou que fomos agredidos. E depois? Estrebuchamos e esquecemos. Tentamos seguir com a vida para frente. E porquê? Porque reagimos assim? Porque não temos mais força para lutar? Porque não dizemos “basta, nós queremos melhor”. Nós, portugueses, merecemos melhores políticos, melhores governantes, melhores líderes e um futuro melhor. Mas, para isso acontecer, precisamos urgentemente tomar uma decisão: não podemos desculpar e esquecer. Temos que mostrar que o que aconteceu não foi apenas feio. Foi sujo e ultrapassou as regras da decência política e cívica. Temos que dar um pontapé e virar a mesa. Esta mesa há muito que está assente em pernas falsas. Os portugueses precisam de coragem para dar a volta à sua vida. Precisamos todos ter uma vida melhor. Porquê? Porque a merecemos.

C. entregou uma pizza #àtouquenemposso

domingo, 22 de maio de 2016

Vícios privados, públicas virtudes

Costuma-se utilizar a expressão a propósito do carácter ou falta deles de figuras públicas, nomeadamente políticos que enaltecem os seus pontos fortes e fazem por esconder os aspectos mais significativos do seu lado lunar.

Vem isto a propósito de toda esta questão do fim do financiamento a novas turmas das escolas privadas com contrato de associação que se localizem em áreas geográficas em que a exista oferta pública e capacidade instalada para acolher esses novos alunos, de acordo com um despacho recentemente publicado.

Vamos os argumentos: da parte do Governo, o argumento é simples: havendo escolas públicas com capacidade para acolher alunos no próximo ano lectivo, e sendo essas escolas do Estado e portanto, suportadas pelo Orçamento de Estado, não faz sentido estar a financiar essas turmas em escolas privadas com Contrato de Associação, que de acordo com as informações da Secretária da Educação são substancialmente mais caras do que turmas iguais em escolas públicas. Do lado das escolas com Contrato de Associação os argumentos são os de que se põe em causa a liberdade de escolha dos pais na hora de decidir a escola em que querem que os seus filhos estudem; que vai pôr em risco postos de trabalho de professores e funcionários; que é a quebra dos compromissos assumidos com o governo anterior; que impede os pais de escolher o Projeto Educativo que pretendem ver aplicado aos seus filhos.

Há uma série de aspectos que são no mínimo questionáveis nos argumentos apresentados. Senão, vejamos: deve ser incapacidade minha mas, não consigo entender como é que o fim do financiamento público a novas turmas em escolas com contrato de associação é terminar com a liberdade de escolha. Os pais continuam a poder escolher a escola em que querem que os seus filhos estudem. A única diferença é que se pretenderem uma escola privada, provavelmente, terão de pagar. Mas não é assim com tudo? Dar-me-ia muito jeito ter casa própria com três quartos, garagem, jardim e piscina. Como não tenho meios financeiros, nem estabilidade profissional para tal, limito-me a viver num apartamento t2 alugado. Não me passa pela cabeça, alugar a tal casa de sonho e depois ir pedir ao Governo que me pague a renda. Não podem pagar? Existem escolas públicas em que não há mensalidades.

Seguinte: a questão do desemprego é porventura aquela que mais me preocupa, uma vez que põe em causa a estabilidade de famílias e isso é, obviamente, preocupante. Contudo, estou em crer que uma parte significativa dos professores que sejam eventualmente afectados por despedimentos colectivos encontrarão na escola pública lugar para continuarem a trabalhar. Porquê? Porque na escola pública o horário lectivo é de 22 horas enquanto que há escolas com contrato de associação que obrigam os professores a leccionar 30 horas semanais. Conheço vários casos de professores que se encontram actualmente a trabalhar em escolas com contrato de associação que têm um imenso rol de queixas a fazer relativamente às suas escolas/empresas e à forma como estas cumprem (ou não) as suas obrigações com os trabalhadores. Desde atrasos no pagamento, a trabalho extraordinário não pago, horários sobrecarregados, tentativas de condicionamento, abuso de poder, a lista não pára e há vários casos conhecidos e documentados pela comunicação social.

O argumento da quebra dos compromissos assinados com o anterior governo é patético. Tão patético quanto foram os cortes dos subsídios de Natal e de Férias ou os Orçamentos de Estado com pontos inconstitucionais. Os acordos anteriores não foram rasgados. As escolas não foram fechadas. Apenas não terão financiamento público para novas turmas. As já existentes, manter-se-ão até final do respetivo ciclo de ensino. Que sentido faz estar o Estado (e recordo que o Estado somos todos nós!) estar a pagar por algo, que ele próprio tem capacidade de fazer? (Seria muito interessante que este princípio fosse aplicado a outras áreas da sociedade e sectores da função pública portuguesa e negócios do Estado, como as PPP, por exemplo!)

O último argumento apresentado, o do Projecto Educativo é de todos o mais estranho. Não porque os Projectos Educativos sejam pouco importantes mas porque serão muito poucos os pais que escolhem a escola em função do seu Projecto Educativo. Arrisco mesmo dizer que a imensa maioria não sabe sequer o que é o Projecto Educativo, para que serve ou como é construído.
Os pais escolhem a escola dos filhos em função de factores da proximidade de casa ou do seu trabalho, dos horários, das actividades oferecidas, dos transportes escolares que a esmagadora maioria destas escolas oferece.

É que, de repente, quem esteja de fora do mundo da educação pode ser levado a pensar que as escolas com contrato de associação são os pináculos das instituições educativas em Portugal e que as escolas públicas são um antro de perdição, criminalidade e ninho de vícios e maus hábitos.

Não tornem esta questão numa questão de qualidade de ensino, porque não é disso que se trata. Não é uma questão sobre que escolas preparam melhor ou pior. Nem de saber quais têm melhores professores.
Esta é uma questão de gestão racional de recursos financeiros.
Só isso.
E desse ponto de vista, parece-me uma decisão acertada.

E. entregou uma pizza #à 'tou que nem posso; #à forças demoníacas

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Amigos para sempre: Ganância & Estupidez

Hoje tive a oportunidade de assistir a um documentário, no mínimo, inquietante sobre a chamada economia verde que retratava a forma com os bancos (sempre eles!) estão actualmente a virar-se para a venda de medidas de mitigação a empresas poluidoras.


Isto explica-se de uma forma mais ou menos simples: bancos e empresas financeiras criam empresas que gerem territórios em risco de desflorestação ou que servem de habitat a espécies em vias de extinção e vendem produtos financeiros estruturados  (lembram-se do subprime? também era um produto estruturado!) a empresas, por norma poluidoras que necessitam de passar a mensagem para o público que se preocupam com o ambiente.

Provavelmente o que a maior parte de nós conhece, são as empresas que vendem medidas de mitigação das emissões atmosféricas de dióxido de carbono: na verdade, o que estas empresas fazem é providenciar algum alívio às consciências dos empresários poluentes (se é que empresários poluentes e consciência na mesma frase faz algum sentido!) e facultar-lhes licença para continuarem as suas actividades poluidoras. Obviamente que as empresas que vendem estas medidas de mitigação facturam milhões de dólares anualmente com a venda destes pensos rápidos da consciência dos poluidores e ao mesmo tempo garantem publicidade verde às companhias que as compram.

Quanto do dinheiro ganho é aplicado em medidas de proteção, recuperação e valorização ambiental? Aparentemente muito pouco.

Apenas o estritamente necessário para manter as aparências perante a opinião pública e a comunicação social. E as tais medidas ambientais retratadas no documentário passam, no caso da empresa brasileira de exploração mineira Vale, por reflorestar os solos da floresta amazónica que já exploraram. Com eucaliptos! Monocultura intensiva de uma espécie bem conhecida de todos nós pelos efeitos nefastos que produz sobre os solos. Compensam a desflorestação da maior floresta tropical, compensam a perda de biodiversidade associada à desflorestação com a plantação intensiva de eucaliptos que vão vender, obtendo ainda mais lucro.

Este é um jogo perigoso, criado pelos suspeitos do costume, com o objectivo de ganhar dinheiro. Não se trata de protecção ambiental, não se tratam de medidas de mitigação dos efeitos da actividade industrial e económica, trata-se simplesmente de fazer dinheiro às custas dos recursos comuns do nosso planeta.

Certamente que algumas destas pessoas já terão comprado terrenos na Lua ou em Marte, porque quando estiverem ainda mais ricos e o planeta com todos os seus recursos essenciais à vida esgotados, o dinheiro não lhes vai servir de muito. Água, ar e alimentos saudáveis serão um bem cada vez mais escasso e caro.

O documentário em causa está aqui.

E. entregou uma pizza #à politicamente irrelevante; #à tou que nem posso.


terça-feira, 22 de março de 2016

Nous sommes Terroristes

Dia 22 de Março de 2016.
Bruxelas.
Mais do mesmo.
Idiotas de consciência e inteligência toldadas fizeram-se rebentar em nome de crenças estúpidas. Marionetas nas mãos de outros.
Resultado: 34 mortos e 140 feridos (por agora).
 
Mas... Mais do mesmo também nas reações:
- Bandeiras a meia-haste;
- Iluminar monumentos com as cores das bandeiras dos países (ocidentais) visados pelo terror;
- Escrever merdas a giz no chão das ruas;
- Criar cartoons sobre solidariedade e "cenas";
- Fazer discursos de condenação;
- ...
É tudo muito bonito! Mas vale tudo zero! As sociedades ocidentais são cada vez mais as sociedades do politicamente correto e irrelevante, da solidariedade vazia, bacoca e ineficaz, da acção de sofá.

É preciso ter coragem. Mas a coragem de que falo não é a de pegar em armas e combater terroristas. Não é a de bombardear lá longe. É a de atacar os problemas na raiz. É a de ir ao fundo do fundo. É a de admitir que se é conivente. É a de fazer as perguntas certas. E procurar as respostas:
- porque é que isto acontece?
- de onde vêm as armas?
- de onde vem o financiamento?
- quem ganha com estes ataques?
- quem compra petróleo, antiguidades, algodão e outros bens ao Daesh?
- ...

Muitas destas perguntas têm resposta. Mas a merda do politicamente correto impede que se coloque os dedos nas feridas. O politicamente correto não permite apontar dedos a países, empresas, grupos de interesses.
Por isso é preciso ter coragem também para agir com base nas respostas.
- Há países que financiam? Têm de ser condenados!
- Há contas bancárias usadas pelos grupos terroristas? Têm de ser congeladas!
- Há empresas que vendem armamento e compram petróleo? Têm de ser denunciadas e castigadas!
- ...

As sociedades que fazem hastags, hasteiam bandeiras, iluminam monumentos, são as mesmas que não apontam os dedos a quem financia porque são parceiros económicos, são as mesmas que não exigem clareza porque são elas próprias responsáveis e/ou beneficiárias das sombras do terrorismo.

Se calhar todos devíamos substituir as nossas fotos das redes sociais por imagens a dizer Je Suis Terroriste!
 
J. entregou uma pizza #à tou que nem posso

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