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sexta-feira, 25 de março de 2016

Não sabemos ou não queremos saber?

Será o mundo povoado por seres humanos desprovidos de consciência cívica? Será o planeta Terra habitado por seres humanos que não vêem o que se passa no mundo? Estas perguntas assolam parte do meu dia e à medida que o tempo passa, tenho cada vez mais dúvidas.
Será que as pessoas não vêem ou preferem não ver?
A resposta a esta pergunta não é fácil mas há alguns indícios que parecem mostrar que o Planeta Terra está a ficar sem seres humanos capazes de ter consciência. Podemos não saber todas as respostas mas somos todos capazes de fazer as perguntas. Ora vejamos:

- Quanto ganha um trabalhador têxtil na China para que vestidos sejam vendidos numa loja na Europa a 3€?
- Quanto ganha um produtor de leite europeu para que o leite seja vendido a 0.40€ no supermercado? 
- Quantas vidas custam os bombardeamentos da Guerra da Síria?
- Porque é que as flores do Quénia são vendidas na Europa a menos de 1€?
- De onde vem o petróleo que chega à Europa a 20USD o barril?
- Quantas pessoas perdem o emprego porque alguém está satisfeito por trabalhar gratuitamente apenas em troca de uma oportunidade?
- Quanto ganha uma criança indiana para fazer umas sandálias vendidas na Europa por 4€?
- Por que é que há pessoas que preferem viver nas ruas e em tendas, na Europa, do que ficar na sua casa no Iraque, na Síria ou no Afeganistão?
- Porque é que os telejornais não passam notícias?
- Quanto ganha um produtor de fruta quando prefere dá-la nas manifestações?
- Porque é que os reality shows ocupam o horário nobre na tv?

- Porque é que a França bombardeia a Síria?
Todos nós sabemos as respostas. Sabemos que compramos roupa e calçados produzidos com trabalho escravo e com trabalho infantil. É impossível não sabê-lo. Sabemos que compramos produtos alimentares que promovem a pobreza dos agricultores. É impossível não sabê-lo. Sabemos que o combustível que abastece o nosso veículo patrocina o Estado Islâmico (EIIL). É impossível não sabê-lo. Sabemos que o nosso trabalho grátis foi responsável pelo desemprego de alguém. É impossível não sabê-lo. Sabemos que quando se bombardeia um território morrem centenas de inocentes em nome de interesses internacionais. É impossível não sabê-lo. Sabemos que os produtos que vêem dos países em vias de desenvolvimento chegam tão baratos porque lá não se pagam salários justos. É impossível não sabê-lo. Sabemos que a desinformação é uma arma da globalização. É impossível não sabê-lo. Os preços e os números não enganam. Os números falam mas ninguém parece querer escutá-los.

Podemos não gostar da VERDADE mas temos que a ouvir:
Enquanto teimarmos em comprar roupa a 3€, patrocinamos a Escravatura Laboral.
Enquanto teimarmos em comprar calçado a 4€, patrocinamos Exploração do Trabalho Infantil. 
Enquanto abastecermos o nosso carro com petróleo barato, patrocinamos o Estado Islâmico.
Enquanto trabalharmos de graça, patrocinamos o desemprego.
Enquanto dermos audiência aos reality shows, teremos desinformação.
Enquanto comprarmos produtos baratos, patrocinamos a pobreza.  
Enquanto olharmos para o lado durante a hora do jantar quando passam as notícias da Síria, patrocinamos os bombardeamentos.
Enquanto ignoramos os milhares de refugiados que fogem às guerras, patrocinamos a desumanização.

Enquanto deixarmos que os países da União Europeia bombardeiem outros países teremos Guerra na Europa (sob a forma de terrorismo, claro, porque é a guerra dos tempos actuais).
As respostas podem não ser óbvias mas há que começar a fazer perguntas. Parece-me que a maioria da população já nem sequer se dá ao trabalho de fazer as perguntas. O desinteresse é tanto que já ninguém quer saber. Sim, parece mesmo que o Planeta Terra está cada vez mais desprovido de seres humanos com consciência cívica. Um dia, esta indiferença custar-nos-á, a todos, a vida.
C. entregou uma pizza à #incendiário #friteiapipoca #sãotodospretos

domingo, 29 de novembro de 2015

Monhé chama cega, preta e cigano ao governo

ptchan.net
É hora de analisar a composição do governo recentemente empossado. Uma vez que a posse foi há poucos dias, ainda não houve tempo do governo fazer obra, logo a análise do governo tem de se focar noutros temas. Sendo assim, e inspirado por um título do “Correio da Manhã”, decidi fazer uma análise baseada no que verdadeiramente interessa, ou seja, raças e etnias. Com base nesta análise, na qual me restrinjo aos elementos-chave do executivo, posso já avançar que este governo será, provavelmente, o mais bem sucedido da democracia portuguesa. Vejamos porquê.


O monhé – Primeiro-Ministro; com um primeiro-ministro monhé, temos a garantia que o chefe de governo tem olho para o negócio. Além disso, trabalhará longas horas, sem feriados nem folgas, em prol do crescimento económico da nação. Será sempre sorridente e solícito, e poderá servir tchai nas conferências do Eurogrupo. Quando sujeito a perguntas incómodas, poderá abanar a cabeça e ninguém perceber se está a dizer sim ou não. Nos momentos mais difíceis, poderá rezar a qualquer um dos milhares de deuses do panteão hinduísta. Por fim, o país terá, no final da legislatura, um sistema nacional de riquexós, servindo todas as capitais de distrito.

A cega – Secretária de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência; dotada da qualidade fundamental em qualquer cargo executivo, esta aquisição será uma mais-valia em qualquer ministério. Será um governante que trabalhará numa base racional com base no mérito, e não emocional com base em interesses, pois, como todos sabemos, “longe da vista, longe do coração”. Os atributos físicos deixarão também de ser um critério para admissão como secretária(o) na Assembleia da República e como assessora(o) de Ministros. Além disso, como tem os outros sentidos mais apurados, poderá ouvir as conversas da oposição (PSD/CDS-PP/BE/PCP-PEV/PAN), sentir o cheiro de um negócio mal amanhado, ou ainda apalpar o terreno sempre imprevisível das vontades do próximo Presidente da República. Prevê-se um futuro brilhante dentro do PS e do executivo para esta Secretária de Estado.

A preta – Ministra da Justiça; é, provavelmente, o único erro deste governo. Com ascendência angolana, seria muito mais útil no Ministério da Economia, das Finanças, ou dos Negócios Estrangeiros, mudança que, ainda assim, poderá acontecer numa futura remodelação governamental. Está numa posição fulcral, e tem as qualidades necessárias, para compreender os pormenores jurídicos dos negócios que envolvam Portugal e o seu país natal, assim como deslindar a complexidade do processo “Marquês”. O “Correio da Manhã” terá maior dificuldade em lhe tirar uma fotografia à noite, quando sair de carro do Ministério, logo teremos menos fugas do segredo de justiça. Com base na tradição angolana, poderemos esperar prisões de elementos subversivos que andem a minar as bases do regime democrático e garantir, assim, a segurança de todos nós. Único senão: ninguém deverá adoptar um comportamento diferente em relação aos alimentos com o objectivo de obter uma decisão favorável em tribunal, pois não terá o efeito desejado.

O cigano – Secretário de Estado para as Autarquias Locais; com um conhecimento aprofundado dos mercados e feiras, e habituado à gestão dos bairros sociais, não há ninguém melhor equipado para governar localmente de uma forma eficaz, sempre com um olho nas autarquias e outro no Povo. Está encontrado o digno sucessor do “Paulinho das Feiras”. Pode também, se tal for necessário, intimidar algum elemento menos crente dos parceiros dos acordos de governo do PS. Além disso, é possível que surja um Decreto-Lei a impor os casamentos arranjados a partir dos 14 anos, o que poderá ser uma medida essencial para aumentar a taxa de natalidade em Portugal. Por fim, poderá servir de elo diplomático com o número crescente de imigrantes da Europa de Leste que se estabelecem em Portugal, facilitando a integração social que todos desejamos.

Por tudo isto, alimento as maiores expectativas relativamente à acção governativa dos próximos tempos.

R. entregou uma pizza #à são todos pretos

sábado, 21 de novembro de 2015

Família

A Assembleia da República aprovou esta semana a adoção por casais homossexuais.
O preconceito prontamente se levantou. "Uma criança deve der gerada por um ser masculino e um ser feminino. Uma criança deve ser criada por um homem e uma mulher."
Se considerarmos estas premissas vindas de uma visão conservadora e católica então Jesus é um bom mau exemplo... não cumpre logo a primeira parte da premissa afinal... foi gerado por uma mulher e uma entidade etérea e extra-terrena cujo género desconhecemos apesar de se querer há muito tempo fazer crer que é um homem...
Se calhar, porque foi gerado desta forma é que se tornou no rebelde que alguns vêm nele.

Ora portanto temos que cada ser humano precisa, condição sine qua non, de ser criado por um homem e uma mulher. 
Perderam a mãe ou o pai ou dois bem cedo na vossa vida? Estão condenados ao insucesso social, emocional, profissional.
Foram criados pela vossa mãe e a vossa avó? Vão degenerar! 
É garantido... ou temos um pai e uma mãe ou vamos ser cepa torta.
Se, pelo contrário, formos criados por um casal heterossexual então o scesso é garantido. Vamos ser pessoas de bem, bem estruturadas, bem formadas, capazes!

Todas as pessoas más que existem na nossa sociedade terão sido, certamente, criadas por casais homossexuais ou monoparentais. E nenhuma criada nestas condições se aproveita! Afinal faltou-lhe uma referência, não é? São ou serão maus, desorientados, com mentes distorcidas e sem valores.
Toda a gente sabe que a falta de afeto, de amor, de carinho, de compreensão e de tolerância é exclusivo das famílias homossexuais ou monoparentais.
Toda a gente sabe que só nestas famílias há violência, abusos, desrespeito, indiferença.

Os casais homossexuais são mau exemplo! Os beijos entre os elementos do casal não são sinal de afeto, são badalhoquice, "balha-me" deus! E essa gente só faz ordinarices à frente das crianças...
As crianças precisam mesmo de uma família heterossexual para perceberem bem qual é o seu lugar na sociedade. A lavar louça e a fazer a comida se forem mulher, a ler o jornal e a gritar a ver a bola se forem homem. Estamos perdidos se não temos estas referências!

Quanto às criancas que estão institucionalizadas (seguramente provenientes de famílias monoparentais ou homossexuais)... estão muito melhor nos lares, a salvo da frieza, dos maus tratos, dos abusos, da massificação do que estariam numa família dessas.
Os lares são sempre uma escolha preferível a um casal homossexual ou a um pai/mãe que queira criar uma criança...

Felizmente o nosso país, cheio de defeitos e problemas, é cada vez menos casa do preconceito e do conservadorismo alheado da realidade.
Felizmente Portugal deu mais um passo no caminho do bem-estar social, do verdadeiro desenvolvimento. Um passo muito mais importante do que uma qualquer subida nos rankings de agências de notação ou do que evolução de pontos percentuais no PIB.

Somos hoje uma sociedade mais justa e evoluída e por isso devemos orgulhar-nos. 
Somos um elemento mais válido da família da humanidade e do humanismo.


J. entregou uma pizza à amigo secreto e #à são todos pretos

domingo, 15 de novembro de 2015

Números...

A propósito da suposta islamização da Europa...

Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Estudo Económicos francês a maior comunidade de emigrantes em França é a portuguesa (8%). A esta segue-se a argelina e a marroquina.
Se considerarmos os estrangeiros residentes e os descendentes diretos temos mais de 3 milhões de portugueses, espanhóis e italianos. Este número subiria consideravelmente se passássemos para terceira ou quarta gerações. Entre tunisinos, marroquinos e argelinos temos pouco mais de três milhões.
Dos doze milhões de emigrantes ou descendentes que residem em França, com raízes em todo o mundo (lembre-mo-nos que a França teve colónias/tem territórios em África, na Ásia, na Oceânia, nas Américas) aproximadamente três milhões e meio são do Magrebe.
As comunidades imigrantes existentes em França não são recentes. Desde, pelo menos, a Segunda Guerra Mundial a França viu chegar gente das ex-colónias, do sul da Europa e até da Europa de Leste.

Qual é a língua oficial da França? Francês. 
Então e o português? E o espanhol? E o italiano? E o árabe? Com tantos anos de invasão/ocupação ainda não se conseguiu impor a língua? Podemos sempre dizer que os argelinos, os marroquinos e os tunisinos, entre outros, não podiam impor uma das suas línguas na medida em que ela é, precisamente, o francês que, já agora lhes foi imposto (assim como o português, o espanhol e o inglês em tantas partes deste mundo).

Qual é a religião predominante em França? Baseio-me nos dados relativos a 2015 do Factbook da CIA: Cristianismo - 65% (a maioria católicos), Agnosticismo/Ateísmo - 26%; Islamismo - 8%; Judaísmo, Budismo e outras - menos de 1% cada. 
Onde está a islamização? Ou a "judaização"? Parece que a maior ameaça pode vir do agnosticismo ou do ateísmo... esses sacanas!

Onde estão as marcas profundas do Islão na sociedade francesa? E as marcas lusitanas? E as espanholas? Na gastronomia? Na música? No cinema? Na literatura?

O nosso país tem uma comunidade imigrante considerável e, na minha opinião, muito bem integrada. Temos gente de vários continentes, de várias religiões, que fala diferentes línguas.
O que nos foi imposto por essas gentes? A cachupa? O chop-suey? A caipirinha?
Por acaso o cristianismo ortodoxo dos ucranianos é agora a religião principal de Portugal?
O fado deu lugar ao samba ou à bossa nova?
Os ranchos folclóricos dançam agora kuduro? (Era giro!!)
As tripas, o sarrabulho, a açorda e o pastel de nata desapareceram para dar lugar ao borchst, ao pato à Pequim ou à couve mineira?

Integrar e ser integrado. É um processo saudável e enriquecedor. Para além de potenciador da compreensão e da paz.

J. entrega uma pizza #à são todos pretos

sábado, 14 de novembro de 2015

O ocidente humanista… o oximoro perfeito

Acho que já foi tudo dito… a perplexidade perante a barbárie, a condenação veemente ao fanatismo religioso, a tristeza perante a frieza das mortes, a repulsa que a execução sumária de gente comum a todos nos traz…mas perdoem-me a insensibilidade de dizer que de discursos de Miss Universo a endossar votos de paz e amor no mundo já estou farto. Todos o queremos, com mais ou menos atributos físicos dignos de concursos de beleza, todos queremos um mundo melhor, mais justo e igualitário. Vá lá… Quantos de nós não mudámos de canal quando no bloco de notícias internacionais, bem lá para o final de um qualquer telejornal diário, num qualquer canal televisivo, se noticiava mais um ataque suicida na Faixa de Gaza, ou no Iémen, ou num qualquer outro canto do mundo lá para oriente. Era tempo de ir à cozinha buscar qualquer coisa para comer…mais uns quantos que morriam, lá na terra daqueles que nunca se entendem e resolvem tudo com bombas. Insensibilizámo-nos do sangue e dos gritos de dor… era lá longe. Mas aqui, dentro de portas, não… aqui impressionamo-nos. A proximidade geográfica e cultural, talvez até religiosa, exacerba a nossa indignação? Compreendo, mas não nos pode cegar. Terror e morte, há infelizmente em todo o lado, a toda a hora e em quase todas as latitudes. Que raio de indignação é esta que só se manifesta quando ouvimos aqui ao nosso lado os tiros. Que porra de repúdio é este que só é propalado  aos sete ventos quando são as nossas paredes que ficam cobertas de sangue? Vá lá…. Não sejamos Miss Universo, discursando em lágrimas em nome de um mundo melhor. Nada tenho contra elas e os seus discursos. Mas dói-me a alma esta forma, às vezes quase inocente, quase inata- nascemos no lado certo do mundo- de sermos ocidentalmente superiores. Somos os culturalmente elevados, os pais da tolerância e da igualdade, os criadores assumidos da solidariedade… Tão longe dos bárbaros e fundamentalistas tacanhos que vindos do andar de baixo do desenvolvimento, algures de África ou do Próximo Oriente se matam uns aos outros, ou que cometem a audácia de em insufláveis e pequenas barcaças entre nós procurarem refúgio… Sejamos Charlie, ou pintemos os nossos murais com a tricolor francesa mas, é também nossa obrigação não mudar de canal quando lá longe morrerem inocentes, informarmo-nos porque morrem, porque se matam, porque nos insultam e nos odeiam… Inquietemo-nos com as invasões, acções armadas ou apoio logístico que os nossos iluminados líderes decidem levar a cabo nesse andar de baixo. Quanto desse sangue que lá tão longe se derrama vem impresso nos nossos boletins de voto?? 


Manifestemos a perplexidade e a indignação hoje. Mas em nome dos valores humanistas que nos envaidecem, manifestemos sempre…


 A. entrega uma pizza  #à são todos pretos

No coração do Prémio Nobel da Paz

O que aconteceu em Paris, a 13 Novembro de 2015, é deplorável e hediondo. Há a lamentar dezenas de vítimas inocentes. Todos nós as lamentamos. Disso não restam dúvidas. As redes sociais inundaram-se de sinais de consternação, pesar e apoio. Neste mesmo mundo, quantos de nós lamentamos as vítimas inocentes que os rebeldes sírios (apoiados pelos países europeus e EUA) fizeram na Síria? Quantos de nós lamentamos as centenas de vítimas que a NATO (o exército dos países europeus e norte-americanos) fez na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, no Mali e na Somália? Será que os países europeus alguma vez pensaram que podiam levar a guerra para o resto do mundo e que isso nunca iria regressar? Uma guerra é um confronto directo entre dois ou mais grupos distintos, utilizando-se armas para tentar derrotar o adversário. Uma guerra tem sempre dois lados, os dois atacam, os dois defendem. Quem faz a guerra sabe que, quando envia exércitos para atacar um determinado grupo ou país, esse vai retaliar. É a guerra. Será que os países de Europa não sabiam? Sabiam, claro que sabiam.

Mas a guerra hoje não é feita apenas com exércitos formais. A guerra não se restringe à disputa entre países. Há cada vez mais forças e poderes transnacionais e é aqui que entra o terrorismo. Os estados deixaram de dar resposta a uma grande fatia da população mundial e a segregação social levou à criação de grupos justiceiros que crescem um pouco por todo o mundo. Crescem na Europa, nos EUA, no Médio Oriente, na Ásia ou na Oceânia. Os excluídos de um sistema estadual são cada vez mais. A França, o Reino Unido, a Alemanha, os EUA, a Rússia, alimentam em jovens o exército do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). Segundo a ONU, há mais de 15 mil estrangeiros a combater nas fileiras do EIIL, provenientes de mais de 80 países. Os europeus estão na linha da frente com a França e a Bélgica a liderar o número de pessoas que se junta a este grupo.

No dia em que a UE recebeu o Prémio Nobel da Paz todos perceberam que o prémio era mal atribuído. Porquê? Porque a UE arrastava centenas de jovens muçulmanos, cristãos e ateus para a marginalização, cada vez são menos instruídos, educados e afastados da possibilidade de garantir um futuro melhor. Os subúrbios das cidades europeias estão a transformar-se em guetos sociais e raciais, onde se concentram cada vez mais jovens a quem os sistemas de educação não dão resposta. O desinvestimento na escola pública e a criação de cursos destinados a alunos excluídos afastou o ideal da igualdade na Europa. Jovens arrastados para a marginalização, para o desespero, desprovidos de valores morais tornam-se vítimas fáceis. A Europa não importou dos EUA apenas um modelo económico, com este veio também um modelo social e é a isso que a Europa assiste na actualidade. Esta segregação social, económica e racial ajuda a promover o fundamentalismo. Estes jovens são vítimas fáceis, não têm nada a perder, andam à deriva, têm famílias disfuncionais onde predomina o desemprego de longa duração. São estes jovens que partem para se alistar no EIIL. Infelizmente, o que aconteceu em Paris é o resultado de algo muito mais complexo do que um simples "foi o Estado Islâmico" e infelizmente, há a lamentar milhares de vítimas inocentes espalhadas pelo mundo, franceses, sírios, espanhóis, afegãos, ingleses, iraquianos, somalis… Há, no entanto, que fazer muito mais do que espalhar o medo.

Felizmente, o Islão não é o Estado Islâmico. Fundamentalistas há-os em todos os cantos, quer no Islão, quer em Israel, quer na Europa. Mas será sobre a comunidade islâmica que o mundo irá exercer a suas frustrações, os seus devaneios e, principalmente, o seu medo. Sim, porque o terrorismo vive do medo e o medo é uma arma poderosa. Podemos e devemos ter medo, mas não podemos deixar que o medo molde os nossos julgamentos. O EIIL é um grupo fundamentalista islâmico que aterroriza o Médio Oriente. É deles que fogem os refugiados que correm aos milhares para a Europa. É contra eles que a população com medo ergue a sua voz. O medo leva a que os europeus tenham medo daqueles que fogem do medo. É estranho. Vivemos num mundo complexo e a humanidade parece escapar-se entre os dedos das mãos da população, como se de areia fina se tratasse. Marine Le Pen pode ter ganho as eleições francesas na noite de 13 de Novembro e isso é uma vitória do medo sobre a humanidade.  

C. entrega uma pizza #à são todos pretos e #à politicamente irrelevante
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