terça-feira, 30 de agosto de 2016

Entrevista histórica a Adolf Hitler

rarehistoricalphotos.com
O “Eu só vim entregar uma Pizza” conseguiu aquele que é, provavelmente, o furo jornalístico do século. Através dos serviços de uma fonte anónima, mas omnipotente, e numa oportunidade única da história do jornalismo e da análise política, pudemos entrevistar Adolf Hitler, a quem foi dada a oportunidade de voltar à vida, passear incógnito pelo mundo, e inteirar-se da actualidade e do que se passou nos mais de 70 anos após a sua morte. E Hitler parece satisfeito com o que viu pelo mundo.
Na nossa entrevista, a única restrição imposta pelo entrevistado foi que as perguntas só poderiam versar sobre o pós-1945, sem excepção. O que se segue é uma transcrição das perguntas do jornalista (chamemos-lhe R.) e as respostas de Hitler (H.). O itálico é nosso, usado para realçar o que nos parece de maior importância.
R.: Antes de mais, obrigado por ter aceitado o nosso convite.
H.: Quem agradece sou eu, uma vez que aprecio a oportunidade que me foi dada, e tenho todo o gosto em partilhar com os seus leitores a minha visão do mundo, e do que aconteceu tanto tempo depois de eu me ter ausentado.
R.: Sei que não responderá a perguntas relativamente ao que se passou durante o seu período de vida, mas não posso deixar de o questionar acerca do momento da sua morte, e das circunstâncias que o rodearam…
H.: Atire à vontade.
R.: Optou pela fuga do suicídio e não assumiu as consequências das acções do seu regime. Porquê?
H.: O suícido não foi uma fuga. Foi um acto de coragem, e o culminar natural de um percurso de vida que acabou em circunstâncias trágicas. Não conseguiria testemunhar a invasão e destruição da minha pátria pelos bárbaros bolcheviques. Foi extremamente doloroso morrer naquelas circunstâncias, com o Exército Vermelho às portas do Reichtag, e sabendo que a Alemanha seria submetida a mais uma humilhação. Todo o cidadão alemão teve a oportunidade de fazer o mesmo que eu; poucos amaram a pátria como eu.
R.: Em relação à humilhação sofrida, quer dizer então que reconhece que fez mal à sua pátria? A Alemanha sem Hitler estaria melhor?
H.: Eu já o sabia no meu íntimo, mas com base no que sei hoje posso responder-lhe sem qualquer dúvida que a grande Alemanha estaria hoje muito pior se eu não tivesse existido.
R.: O que quer dizer com isso?
H.: É certo que passamos por maus momentos imediatamente após o término da guerra. Mas rapidamente a pátria soube reerguer-se com um novo alento e coragem, que se devem, em não pouca medida, ao fortalecimento da alma do povo, resultante do esforço feito durante o regime do Nacional-Socialismo. Foi uma tristeza profunda saber que a Alemanha foi novamente dividida, incluindo a nossa capital, mas o futuro veio mostrar que somos mesmo mais fortes e que tínhamos razão em tudo o que fizemos.
R.: Mas as suas escolhas levaram à destruição do seu país e à morte e sofrimento do seu próprio povo…
H.: Isso é uma visão mesquinha e redutora da história, da qual só os fracos partilham. Sem destruição, não pode haver a construção de algo novo e grandioso, e sem sofrimento, não há reconhecimento do valor daquilo que se construiu. A Alemanha está novamente reunificada, e a sua área de influência económica é, atrever-me-ia a dizer, maior do que aquela que nós atingimos no nosso período áureo.
R.: Quer dizer que está satisfeito com o que aconteceu após a sua morte?
H.: De uma forma geral, sim. Há alguns contratempos que continuam por resolver, mas regra geral, acredito que os acontecimentos mundiais vieram reivindicar a nossa visão do mundo. A Europa foi unificada sob o poder económico da Alemanha, a podridão do regime bolchevique levou ao seu colapso, os nossos aliados no Extremo-Oriente sofreram às mãos dos americanos, mas mostraram que são fortes e continuam a ser uma potência mundial.
R.: Concorda então com a edificação da U.E.?
H.: Claro! Sou um federalista convicto… O futuro terá de passar por um governo europeu, com uma moeda europeia, mas também com orçamento europeu,e com capital em Berlim, claro. E uma nova expansão a leste, já agora…
R.: E fazer frente a Putin?
H.: Putin quer ressuscitar aquilo que já está morto e enterrado. Mas é preciso controlá-lo e garantir que a Rússia envereda finalmente por um regime democrático.
R.: Descobriu as virtudes da democracia?
H.: Nunca duvidei delas… Esquece-se que fui eleito democraticamente? Claro que, em circunstâncias extraordinárias, são necessárias medidas extraordinárias. Eu disse aos eleitores que se me elegessem eu acabaria com todos os outros partidos políticos. Nunca menti ao eleitorado.
R.: E os E.U.A.?
H.: Se nós tivéssemos subjugado os bolcheviques, o período da Guerra Fria teria sido muito semelhante, excepto que ainda estaríamos cá a fazer frente aos americanos,ou seja, o mundo estaria muito mais seguro connosco! Mas sempre soube que a Alemanha teria de conviver com os americanos… Eles até ficaram com os nossos melhores elementos! O Von Braun é que os levou à Lua, não foi? E o 11 de Setembro tem um cheirinho de incêndio no Reichtag, não lhe parece?... (risos) Mas os E.U.A. estão em declínio, embora não pareça. A sua força depende essencialmente do seu poderio militar, herdado do final da Guerra com o Eixo. Mas o seu sangue está podre, com a infiltração judaica e mistura de raças latina e africana, e a sua economia vai definhar lentamente.
R.: Como vê a ascensão da China?
H.: É mais uma demonstração que o Mundo estaria melhor se tivéssemos ganho a guerra! O Japão teria dominado os chinocas e hoje não teríamos o problema da política expansionista de Pequim, para mais baseada num capitalismo travestido de comunismo… Ou ao contrário, ainda não percebi muito bem o que eles andam a fazer por aquelas bandas.
R.: Referiu alguns contratempos históricos… Um deles será certamente a formação do Estado judaico. Como encara a sobrevivência de Israel e o seu estabelecimento como potência regional?
H.: Com tranquilidade. Nós chegamos a ponderar a hipótese de deportação dos judeus para um novo território, mas na altura não existiam condições políticas para a formação de um estado judaico. Eu queria-os fora da Alemanha; consegui-o. Agora, as suas maquinações continuam diabólicas como sempre. A desestabilização do Médio Oriente e a crescente ameaça do terrorismo islâmico têm a mão dos judeus e do lobby judaico americano...
R.: Considera o terrorismo a maior ameaça ao mundo ocidental?
H.: Sim, mas não aquele que está a pensar… O pior é o terrorismo financeiro! É o que dá os judeus controlarem a banca americana… Um dia alguém terá de os enfrentar. Só espero ter a oportunidade de testemunhar isso!
R.: As regras existem para serem quebradas, por isso pergunto-lhe, por último, se se arrepende de algo na sua vida?
H.: Devia ter apertado com aquele desgraçado do Heisenberg… O traidor do físico andou a fazer de conta que trabalhava durante anos e minou os nossos esforços para desenvolver uma arma que poderia decidir o futuro da guerra. Eu sabia que ele era muito amigo do judeu do Bohr, mas sempre pensei que amasse mais a Alemanha… Se não fosse ele, tínhamos chegado à bomba atómica antes dos americanos! E o futuro teria sido diferente. SIEG HEIL! 
R. entregou uma pizza #àforçasdemoníacas

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Eu só quero ver...



Portugal está a arder.
E qual é a novidade?
Estranho seria senão estivesse.
Todos os anos o mesmo cenário; todos os anos os mesmos argumentos estafados, puídos e gastos. Todos os anos as mesmas falhas.

Quem não falha são os bombeiros que andam dias seguidos a combater o fogo pelo mor à camisola. Vivemos num mundo tão miserável em que um jogador de futebol factura milhares, mas um bombeiro tem de ser voluntário porque o Estado (leia-se: ´NÓS!!) assim o desejamos. Não? Então porque não há  movimentos da sociedade civil a exigir a criação de corpos de bombeiros profissionais?

As políticas de gestão e organização da floresta há anos que nos encaminham para uma eucaliptização do país, tudo com o beneplácito dos diferentes níveis de governação e poder: dos presidentes de câmara, CCDR's, Ministérios e Governo. E o silêncio ensurdecedor das indústrias da celulose e pasta de papel.

O fim, na prática, da Guarda Florestal que agravou e muito o descontrolo das áreas florestais, limpeza e conservação de caminhos, vigilância, alerta e intervenção.

O subfinanciamento das Áreas Protegidas, sejam elas Parques Nacionais (só temos um, infelizmente), Parques Naturais, Reservas ou outras denominações que não permitem intervenções de fundo no território nem o aproveitamento das potencialidades endógenas destas áreas. Como os presidentes do Parques Naturais são escolhidos pela cor do cartão partidário, não há interesse, nem vocação, nem vontade, nem saber para fazer melhor. O que interessa é encher. Os bolsos, o currículo, fazer uns favores que mais tarde possam ser cobrados.

A inexistência de um sistema nacional de cadastro dos proprietários florestais que permita a responsabilização de quem não fizer a limpeza da floresta

Os meios de combate são ineficazes: Não há dinheiro para equipar as corporações substituindo viaturas com dezenas de anos de uso e milhares de hora de operação efectiva mas há dinheiro para comprar carros de luxo para a Assembleia da República, Ministérios, Presidência e outros que tais.

Os meios aéreos são insuficientes. E caros, acrescento eu. E mal coordenados. Não há muitos anos, a Força Aérea Portuguesa actuava em operações de combate a incêndio com custos bem menores e resultados melhores. Porquê pagar a privados se temos os meios e o pessoal necessário já a ser pago pelo dinheiro dos contribuintes?

Portugal a arder e nada a fazer.
Não se fazer uma fogueira no Terreiro do Paço e soltar o fogo a quem nos governa e tem desgovernado nos últimos 40 anos...

Aí, até é eu me tornava pirómano!
Se quiserem posso contribuir com uma caixa de fósforos!

E. entregou uma pizza #à incendiário, #à tou que nem posso, #à coçador

terça-feira, 2 de agosto de 2016

"The world is coming to an end..."

Mickey: "The world's coming to an end, Mal." 
Mallory: "I see angels, Mickey. They're comin' down for us from heaven. And I see you ridin' a big red horse. You're drivin' the horses, whippin' 'em. And they're spittin' and barfin' all on you now..."

Nos anos 90 Oliver Stone criou uma obra de arte, Assassinos Natos (Natural Born Killers). Vi esta montanha-russa numa das salas dos Cinemas Avenida em Coimbra, onde então estudava. O filme está repleto de momentos e tiradas que se colam a nós como a poeira se cola num dia quente de verão em que a pele se cobre de suor. "The world is coming to an end, Mal". Esta é uma das frases que ficou tatuada na minha mente. "The world is coming to an end".
Mickey e Mallory são os assassinos natos do título do filme e acompanhamos esta versão de Bonnie e Clyde numa furacão de sangue e violência completamente frenético e avassalador. Nenhum ser humano normal conseguiria simpatizar com uns verdadeiros Mickey ou Mallory Knox. Tais violência, loucura e distância da lucidez e realidade só podiam existir em filme e por isso mesmo conseguimos olhar para este Assassinos Natos como uma obra e acompanhar com entusiasmo e envolvência  percurso da dupla.
Parecia-me aceitável que simpatizássemos com o Mickey e a Mall pela irrealidade das personagens. Mas agora começo a achar que afinal há gente bem real impregnada de iguais doses de loucura e maldade. E que aquela frase de Mickey podia perfeitamente ser uma premonição.

Nos últimos tempos esta frase tem ecoado na minha cabeça e até a vou repetindo aqui e além, agora e depois. E quase sempre esse murmúrio acontece quando leio ou vejo ou ouço notícias.
Além da situação na Síria e no Iraque, na Líbia, na Eritreia, no Iémen, no Sudão do Sul e tantos outros sítios distantes que não nos ocupam muito (ou nada) do tempo e da atenção, o que temos?
- Temos os atentados terroristas (não escrevi islamistas... são tantos e de tantas origens e motivações diferentes) que servem de combustível para o medo e para o ódio;
- Temos o a ignorância e o alheamento que o são o comburente;
- Temos gente má e movida pelo poder, pelo lucro, pela ganância eu aproveita o combustível e o comburente para provocar o incêndio perfeito.

Nos E.U.A. é cada vez mais consistente a possibilidade de Donald Trump ser eleito presidente. Na Rússia Vladimir Putin governa com cada vez mais descaramento e prepotência. Um pouco por toda a Europa ganham força as visões xenófobas, enquanto que quem tem poder e responsabilidades parece preocupar-se apenas com economia, finanças, dinheiro, bolsas, etc.. Na Turquia uma tentativa de golpe de estado no mínimo muito conveniente serviu de pretexto para uma purga sem precedentes e com graus de violência impressionantes... À vista de todos. 
O que a mim mais assusta é que todas estas situações que enumerei (e podia referir outras em outras coordenadas desta nossa Terra) são validadas por uma boa parte da população desses países. E isso só pode querer dizer que estão muito alheadas e assustadas ou que concordam! E não sei o que é pior.
Assusta-me também que todas estas variáveis pareçam estar a combinar-se para um cenário tenebroso que espero que seja pouco provável mas que vejo, ainda assim, cada vez mais próximo. Conflitos armados de grande escala (não queria muito falar de uma 3.ª Guerra) parecem-me agora muitos plausíveis quando há meio ano atrás nem sequer me passavam pela cabeça.

Sou da opinião, há já algum tempo, que existe gente a mais neste planeta e que é necessária uma limpeza (a História mostra-nos que isto vai acontecendo ciclicamente). Ironicamente, digo eu, esta gente a mais poderá estar a promover a situação ideal para que as catástrofes tomem lugar e assim aconteça a tal limpeza.

"The world is coming to an end, Mal" dizia o Mickey Knox enquanto se ouvia de fundo a deliciosa versão de Sweet Jane dos Cowboy Junkies.

J. entregou uma pizza #politicamente irrelevante, #à fritei a pipoca, #à forças demoníacas


terça-feira, 26 de julho de 2016

Quem são 'eles' e porque o fazem?

dn.pt

A série de ataques que têm acontecido nos últimos dias são actos lamentáveis, em relação aos quais as autoridades devem ter uma estratégia de combate e prevenção. Mas qual será a melhor estratégia a seguir de forma a reduzir ao mínimo possível a ocorrência deste tipo de acções ‘extremistas’? A principal questão que deve ser respondida tem a ver com as motivações por trás destes actos, pois a compreensão da génese destas acções é o primeiro passo para uma estratégia eficaz de combate e prevenção. 
Parece trivial dizer isto, mas ninguém parece estar interessado em responder a esta questão, nem por parte das populações afectadas, nem muito menos das autoridades. Por trás de uma acção ‘extremista’ há sempre uma história para contar, e a comunicação social e autoridades não estão interessadas em conhecer e, muito menos, em partilhar essa história. Aquilo que nos é dado numa bandeja resume-se a um argumento rasca hollywoodesco, que começa com um acto tenebroso, passa pela perseguição com algum suspense, e acaba com o happy end da ‘neutralização’ dos maus da fita.
Mas quando os perpetradores destes actos são mortos, a fonte mais fidedigna de informação é eliminada, restando apenas alguns testemunhos de conhecidos ou familiares e a memória virtual das redes sociais e telemóveis. Mas isso é pouco, muito pouco, para se descobrir aquilo que motivou aquelas acções. Conhecendo as motivações, podemos distinguir claramente um atentado terrorista de outro tipo de acções ‘extremistas’, distinguindo motivações pessoais de motivações políticas ou religiosas. Conhecendo as motivações, podemos perceber porque aquilo aconteceu, porquê ali, porquê agora. Conhecendo as motivações, as autoridades e as populações poderão combater o problema na sua raiz, e não reagir de forma automática e inconsciente.
Mas não devemos confundir motivações com intenções. Por natureza, estas últimas não são comprováveis nem verificáveis. Excepto no caso de haver uma investigação em curso, e existirem provas materiais e irrefutáveis da preparação de actos criminosos. Mas prender primeiro, e investigar depois, é algo inaceitável num regime com base no primado do Direito. Quando as autoridades policiais e judiciais prenderem pessoas por tempo indeterminado, sem acusação, com base em possíveis intenções, saberemos que já deixámos de viver num regime democrático. E será uma questão de tempo as autoridades virem bater à nossa porta. 
R. entregou uma pizza #àcoçador

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Não é o fim do mundo, pois não??



Calvin and Hobbes- Bill Watterson



Eu ainda sou do tempo em que se dizia que depois dos atentados do 11 de setembro de 2001 o mundo nunca mais seria o mesmo. Seria? Na altura, o papão chamava-se Al-Quaeda, personificado na figura de Osama bin Laden. Com o anúncio quase em direto em maio de 2011,feito pelos polícias do mundo, na figura do simpático Barack Obama, da morte do diabo saudita, o mundo respirou de alívio. Era tempo de esquecer os aviões que chocavam com prédios e até os atentados de Londres (julho de 2005- 56 mortos e 700 feridos) e de Madrid (março de 2004- 191 mortos e perto de 2000 feridos) eram coisas do passado.

A crise financeira iniciada em casa dos polícias do mundo trouxe ao léxico comum palavras como subprime e Lehman Brothers. Nada que os mais insuspeitos banqueiros e chairmen  dum lado e do outro do Atlântico  não pudessem controlar,  dizia-se…. A Primavera Árabe, despoletada pela imolação de um jovem tunisino apenas cinco meses antes da épica retirada de cena do tal papão barbudo deixava antever a aurora de um admirável mundo novo. Tão diferente daquele que descreveu Aldous Huxley em 1932. Mas isso é outra história. Perdoem-me, mas acabei há pouco de o ler e ainda estou aturdido pelo embate. Continuando… Os temíveis déspotas que governavam as nações do norte de África e do próximo/médio oriente iam sendo “naturalmente” apagados. O mundo estava quase limpo. A política externa dos polícias do mundo mostrava sinais de mudança. Há muito que não havia cimeiras nas Lajes ou noutro lugar qualquer a promulgar novas invasões. Perdão, novas intervenções militares. No velho continente continuava a correria desenfreada aos boletins de candidatura a essa outra grande casa da democracia e da liberdade chamada UE. Os russos conseguiam que alguns desses boletins fossem extraviados. Mas tudo ia de vento em popa. Uns a contar tostões e outros milhões, mas nada que a Grande história mundial recordasse um dia. Eis senão quando, uns tipos mal encarados denominados deste lado de cá do mundo por Daesh, aproveitam a gasolina que um daqueles temíveis tiranos deixou espalhada nas cercanias, pelo simples facto de não ir em Primaveras, um tal de Bashar al-Assad, e resolvem pegar fogo à barraca. E foi um Ai Jesus!!! Cronologicamente e de forma resumida, perdoem-me se me esqueço de alguma “data”:
- janeiro de 2015 - França: vários ataques incluindo ao semanário satírico Charlie Hebdo fazem 17 mortes;
- fevereiro de 2015 - Dinamarca: Omar el-Hussein, dinamarquês de origem palestiniana, mata 3 pessoas e fere outras cinco;
- junho de 2015- Tunísia: 38 mortes num ataque a um hotel em Sousse, numa zona balnear;
- outubro de 2015, Turquia – Um atentado suicida faz 102 mortos e mais de 500 feridos em Ancara;
- novembro de 2015 - França: Os atentados perpetrados em Paris, no Bataclan e em vários bares e restaurantes no centro da cidade e perto de um estádio causam 130 mortes e mais de 300 feridos. Alguns dias depois no Líbano, um atentado contra uma base do Hezbollah, provoca 44 mortos;
- março de 2016 - Bélgica - Uma dupla explosão no aeroporto de Zaventem e uma outra explosão numa estação de metro, em Bruxelas, provocam pelo menos 34 mortos;
-junho de 2016 - Turquia - atentado bombista no aeroporto de Ataturk, em Istambul, faz mais de 40 mortos e centenas de feridos;
- julho de 2016 - França - O tunisino Mohamed Lahouaiej-Bouhlel provoca a morte de 84 pessoas quando conduzia um camião contra uma multidão em Nice. Na Alemanha, alguns dias depois, um jovem de 17 anos entrava num comboio, em Wurzburgo, com um machado e uma faca e ataca várias pessoas.
Mas que forma enfadonha é esta de estar na vida??? Sempre a arquitetar atentados...
E já agora para recordar alguns mais distraídos, poucos presumo eu, temos neste momento qualquer coisa como 60 milhões de refugiados, um terço deles no Médio Oriente. Raios os partam que continuam a querer atravessar o Mediterrâneo. Assistimos despreocupados à fome que faz a Venezuela entrar em convulsão. A falta de alimentos leva o país ao caos, com lutas por comida nas ruas e multidões invadindo e saqueando supermercados. Sofremos da amnésia coletiva que nos permite esquecer que na Ucrânia, a guerra entre o exército e os separatistas pró-russos já dura há dois anos, fez 9300 mortos e um milhão e meio de refugiados e o conflito não tem fim à vista. E ainda acompanhamos com evidente desinteresse a tentativa de golpe de estado na Turquia, onde mais um daqueles líderes carismáticos administra com primor um dos países do mundo com maior importância geoestratégica.
Mas e que faço eu com este chorrilho de informações chatas e desgraçadamente incómodas, perguntam vocês. Eu??? Eu junto-me a uns quantos milhões deste planeta e vou para a rua ajudar a alimentar os pobrezitos da Niantic Labs e da  Nintendo que criaram um joguito para o meu telemóvel que me permite apanhar 142 criaturas virtuais. O mundo pode esperar, o Pokémon Go não. 
A. entregou uma pizza #àirrevogável

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Nós merecemos melhor, muito melhor…

lusonoticias.com
Como seria o mundo se todos conservássemos a inocência e frontalidade de uma criança? Seria possível haver um mundo de adultos em que estes continuassem a ter os valores simples e básicos da infância? Como é que o Homem chegou aqui?
Há muito que sabemos que os valores que regem a nossa sociedade são cada vez mais efémeros, desonestos e fúteis. As coisas foram mudando, lentamente, sem nos apercebermos em que direcção caminhávamos. Quando as alterações são bruscas tendem a gerar reacções mas quando são feitas de forma faseada vamo-nos habituando. Não oferecemos resistência e deixamo-nos atropelar. Tenho sentido isto cada vez mais. Não sei se é por andar mais sensível ou por chegar a uma altura em que tudo o que me rodeia me parece irreal. As coisas hoje passaram a ser feitas à descarada, sem vergonha nem culpa. Podia estar a falar de milhares de coisas, das relações amorosas, da vida profissional, mas não, neste caso estou a falar daquilo que tem acontecido aos portugueses e à forma como vemos a nomeação dos nossos ex-governantes para cargos em instituições financeiras internacionais. Primeiro indignamo-nos com as nomeações para empresas nacionais e multinacionais, e estou a falar de pessoas como Jorge Coelho ou Eduardo Catroga. Mas essa indignação era pequena. Nunca passou de “arrufos de namorados”, daqueles que os próprios namorados acabam por esquecer.
Mas um dia, Maria Luísa Albuquerque, ex-ministra das Finanças durante a crise, é nomeada para uma das empresas que mais lucrou com a crise portuguesa. Vítor Gaspar, o seu antecessor, já tinha saído para ir para o FMI, a instituição responsável pela gestão da dívida portuguesa. Pouco tempo depois, Durão Barroso, ex-Primeiro Ministro português e ex-presidente da Comissão Europeia, é nomeado para a Goldman Sachs, um dos bancos responsáveis pela crise mundial que estalou em 2008 e que atirou a Europa, e especialmente os países periféricos, para uma crise económica e humanitária sem precedentes desde a II Guerra Mundial. 
E nós o que fizemos? Indignámo-nos; mostrámos desagrado. Sentimos nojo, vergonha. Sentimo-nos culpados. Tal como fazemos quando sabemos que alguém nos traiu ou que fomos agredidos. E depois? Estrebuchamos e esquecemos. Tentamos seguir com a vida para frente. E porquê? Porque reagimos assim? Porque não temos mais força para lutar? Porque não dizemos “basta, nós queremos melhor”. Nós, portugueses, merecemos melhores políticos, melhores governantes, melhores líderes e um futuro melhor. Mas, para isso acontecer, precisamos urgentemente tomar uma decisão: não podemos desculpar e esquecer. Temos que mostrar que o que aconteceu não foi apenas feio. Foi sujo e ultrapassou as regras da decência política e cívica. Temos que dar um pontapé e virar a mesa. Esta mesa há muito que está assente em pernas falsas. Os portugueses precisam de coragem para dar a volta à sua vida. Precisamos todos ter uma vida melhor. Porquê? Porque a merecemos.

C. entregou uma pizza #àtouquenemposso

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Get the F*ck Out of Here!

Brexit, ouviram falar?

Tenho andado num estado de estupefação relativamente a este assunto. Considero que os povos têm o direito (dever?) de dar a sua opinião relativamente ao destino que pretendem dar ao seu país. Os políticos e os opinion makers favoráveis ao brexit têm toda a legitimidade para argumentar no sentido de o Reino Unido deixar de fazer parte da União Europeia, tal como os defensores da permanência têm também o direito de apresentar argumentos que sustentem a sua posição. Os resultados obtidos no referendo do passado dia vinte e três de junho ditaram a saída do Reino Unido da UE.

Os resultados obtidos no referendo determinaram a demissão de Primeiro-Ministro Cameron do cargo que ocupava no Governo Britânico. Normal, tendo o homem defendido a permanência do Reino Unido na União.

(Sou só eu que que acho estranho que o homem que propôs a realização do referendo, numa manobra de pressão sobre a União Europeia e tenha defendido durante meses de forma subreptícia e tão britânica, que se calhar, o UK estaria melhor fora da UE, faça depois campanha pela permanência?E que depois, qual virgem ofendida se demita por não ter conseguido que o seu lado da questão fosse vencedor?)

Pouco tempo depois os partidários da saída do UK vieram reclamar vitória, dizendo que era a vitória da independência do Reino Unido e que o povo britânico era novamente dono do seu destino. A coisa começa a descambar, quando nas semanas seguintes, cada um dos líderes dos partidos políticos e movimentos partidários do brexit começou a abandonar o cargo que ocupava. Baralhados?! Eu confesso que sim. Baralhado e perplexo perante as declarações do ex-líder do UKIP que diz que atingiu o objectivo a que se propôs, que nunca quis ser político e que portanto se demitia do cargo de líder porque tinha conseguido aquilo a que se tinha proposto.

Say what?!
Então este senhor, líder de um partido político nacionalista, vagamente xenófobo, anti-imigração, consegue convencer a maioria do eleitorado britânico a votar favoravelmente a saída do seu país da UE e depois demite-se? Era esse o projecto político? Tirar o país da União Europeia e a seguir virar costas? O que pensarão agora os militantes do UKIP? Que orgulho! Faço parte de um partido político que tinha como único objectivo que o Reino Unido saísse da UE! E a saúde? E a educação? E a segurança? E as políticas económicas? E as finanças do país?

Tempos perigosos estes em que se reduz um projeto político a uma única acção sem ter em consideração as consequências. A libra está em queda livre. Há rumores fundados de fuga de capitais e de empresas para outras paragens. O número de pedidos de informação sobre as condições para aceder ao programa português de vistos gold subiu exponencialmente desde que se soube o resultado do referendo.

Mas espera aí... de que país é que estamos a falar? Do Reino Unido! Aquele país que aderiu à União Europeia em 1973 e que não aderiu ao espaço Schengen e por isso tem controlo fronteiriço (o que não impediu os lamentáveis atentados em Londres), não aderiu à Moeda Única (e por isso tem a libra esterlina como moeda oficial) e na verdade, esteve dentro da União, mas com um pé fora. Então, a saída da UE vai fazer de facto alguma diferença?

É uma boa pergunta. Vamos esperar para ver o que vai acontecer. Para já "os mercados", esses abutres andam a rondar a carcaça ensaguentada do Reino Unido à espera que o corpo moribundo dê o seu último suspiro.

E. entregou uma pizza #à centrão bipolar, #à políticamente irrelevante; #à fritei a pipoca
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